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problematizar as geografias das sexualidades Fevereiro 24, 2011

Posted by paulo jorge vieira in geografias das sexualidades.
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O NETURB – Núcleo de Estudos Urbanos e o NEST Núcleo de Estratégias e PolíticasTerritoriais do Centro de Estudos Geográficos, do Instituto de Geografia e Ordenamentodo Território da Universidade de Lisboa, organizam no próximo dia 2 de Março de 2011um Seminário entitulado “Queerizar as Geografias das Sexualidades: Perigos ePromessas em Re-Inventar e Globalizar Tradições” que será dinamizado peloinvestigador alemão Jan SimonHutta.Este seminário, que decorrerá em português, realiza-se na SALA DE VÍDEO (CAVE), pelas12:30 no edifício da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

 

RESUMO:

A subdisciplina da ‘geografia sexual’ tornou-se cada vez mais popular e visível durante aúltima década, até certo ponto na escala global. Numerosos livros colectivos editados,monografias, revistas e grupos de trabalho têm aparecido e utilizam rótulos como‘geografia sexual’, ‘geografia queer’ ou ‘sexualidade e espaço’, marcando portanto umespaço discursivo de investigação acerca de assuntos frequentemente marginalizados nasteorias sociais e espaciais. Muitas vezes, este tipo de trabalho é preocupado com assubjetividades e políticas lésbica, gay e trans, porém às vezes também com assuntos maisamplos relacionados ao amor, sexo, consumo, turismo, trabalho sexual e etc. Vários dosassuntos tratados sob o rótulo de ‘geografia sexual’ tem uma história mais alongada deinvestigação, remontando a projetos coloniais normalizadores e exotizadores, mastambém às lutas dos movimentos sociais surgidos em redor dos direitos reprodutivos, dalibertação gay ou do lesbianismo como prática utópica. O campo revigorado da ‘geografiasexual’ está portanto posicionado desconfortavelmente num terreno complexo deformações pós-coloniais e contestações políticas.Deste modo a sub-disciplina da ‘geografia sexual’ recria debates recorrentes e eclipsa asua própria historicidade ao imaginar-se como nova? Em que medida ela privilegiaquestões relacionadas às identidades sexuais sobre outros assuntos? E de que forma, poroutro lado, novos espaços institucionais e discursivos abertos pelo campo da ‘geografiasexual’ promovem formas críticas de engajamento que ultrapassem as fronteirasdisciplinares? Esta apresentação discute essas questões apresentando um panorama darecente discursificação da ‘geografia sexual’, bem como, das genealogias de alguns dosassuntos convocados por este campo disciplinar. Em seguida, examino como o meuprojecto de doutoramento sobre as políticas lésbicas, gays, bissexuais e trans (LGBT) e asformações queer de agenciamento no Brasil, foi desenvolvida tentando evitar a inserçãoplena na sub-disciplina da ‘geografia sexual’, e usando o ‘sexual’ como categoria deanálise significativa porém não central ou primária. Ao deslocar o enfoque para as‘formações de agenciamento’ que tomam forma em tempos e espaços concretos, oprojeto visou destabilizar os discursos identitários, e ir além de versões simplistas deintersecionalidade e subjetividade. Juntamente com numerosos outros escritos, o projetotambém participou da reinvenção da ‘geografia sexual’ e, potencialmente, temcontribuido à sua revigoração como campo discursivo aberto, dinâmico e não identidário.

 

BIOGRAFIA

Jan Simon Hutta trabalha actualmente em Berlim, no projeto de pesquisa-acção‘Transrespeito versus Transfobia No Mundo’ (Transrespect versus TransphobiaWorldwide). Ele é doutorado em geografia pela Open University em Milton Keynes, ReinoUnido. No seu projecto de doutoramento investigou como é que as formas deagenciamento e da experiência tomam forma através de espaços diferentes do ativismolésbico, gay, bissexual, trans (LGBT) e da vida quotidiana queer no Brasil, e quais são asimplicações disso para as possibilidades práticas de promover a cidadania. Em particular,o projeto interroga a lógica ‘governamental’ orientando o activismo anti-homofóbico, aoconsiderar as relações afetivas do que, em alemão, é chamado Geborgenheit, ou que, emportuguês, pode ser chamado de ‘aconchego’, considerando como essas relações sematerializam através e além do activismo. Antes, eleestudou psicologia e estudosculturais na Universidade Libre de Berlim, Alemanha, e na Universidade da Califórnia,Santa Cruz, EUA. Tem trabalho publicado nas revistas Environment and Planning D:Society and Space e The Graduate Journal of Social Sciences, e no livro colectivo editadoRethinking the Public (Policy Press). Ele co-organizou os seminários ‘Talking About aRevolution?’ How Academics Not Only Chat to Make a Difference (Open University, Junhode 2009) e Sexualities in/of the Global South (Universidade de Manchester, Agosto de2009), e actualmente faz parte da comissão de organização da Conferência Europeia deGeografia das Sexualidades programada para Bruxelas, Setembro de 2011.

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