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(homo)parentalidades… a revisão da matéria Fevereiro 4, 2012

Posted by paulo jorge vieira in activismo.
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O último número da revista ex aequo, editada pela Associação Portuguesa de Estudos sobre Mulheres, publica um muito interessante artigo de Jorge Gato e Anne Marie Fontaine, investigadores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Neste artigo (on line aqui na página da ILGA – Portugal) os autores realizam uma competente e interessante revisão dos estudos empíricos com famílias homoparentais desmistificando muitos mitos pseudo científicos sobre o tema. Aqui fica um cheirinho:

O discurso de que as crianças precisam da presença simultânea de uma mãe e de um pai tem subjacente a concepção que a maternidade e a paternidade implicam capacidades mutuamente exclusivas e estereotipadas em termos de género e que estas devem ser transmitidas à geração seguinte. Este paradigma essencialista (Silverstein e Auerbach, 1999) associa às diferenças biológicas e reprodutivas que se verificam entre homens e mulheres, diferenças de género no comportamento parental: a maternidade e a paternidade corresponderiam assim a papéis sociais distintos, vinculados de forma irrevogável ao sexo biológico do progenitor. À boa maneira psicodinâmica clássica teríamos, «de um lado uma mãe ao serviço da criança, prestadora de cuidados e guardiã de todos os afectos e, de outro lado, um pai, razoavelmente distanciado e introdutor da Lei social (…)» (Leal, 2004: 224). Esta diferenciação de papéis é visível sobretudo em casais heterossexuais que aderem a identidades e papéis de género tradicionais. Não obstante algumas mudanças, continuam a ser as mulheres quem investe mais na esfera familiar e no papel parental (Wall, Aboim e Cunha, 2010). No entanto, considerar a família heterossexual, com uma divisão tradicional de papéis, como o modelo desejável de parentalidade corresponde mais a um projecto ideológico do que a um facto cientificamente provado. Segundo Timothy J.Biblarz e Judith Stacey (2010) a maior parte das investigações a partir das quais foram retiradas conclusões sobre diferenças de género em termos de parentalidade não foram desenhadas para responder a esta questão. Para estes autores, a convicção de que é essencial a presença simultânea de um pai e de uma mãe tem, sobretudo, origem em estudos que confundem os efeitos de variáveis distintas, que interagem de formas complexas. Por exemplo, concluir que dois progenitores de sexo diferente são o contexto ideal para o desenvolvimento de uma criança, a partir de investigações que compararam mães solteiras com famílias nucleares tradicionais (e.g., Blankenhorn, 1995, in Biblarz e Stacey, 2010) é uma falácia. Em bom rigor, estes estudos não controlam o efeito do número de progenitores ou o seu estatuto conjugal e outras variáveis relacionadas (como, por exemplo, o nível socioeconómico).

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