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de Francine Benoît e algumas das suas redes de sociabilidade Fevereiro 24, 2015

Posted by paulo jorge vieira in academia, musica, teoria queer.
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Descobri a  tese de mestrado da Helena Lopes Braga. Fiquei deliciado com uma primeira leitura. Aconselho-a a tod*s que se interessem sobre a história intima do Portugal do século XX.

Um dos elementos provocante dos estudos queer tem sido a sua capacidade de desestabilizar fronteiras académicas e principalmente mitos e ortodoxias de análise. A tese de mestrado da Helena Lopes Braga parece me ser um exemplo interessante desse procedimento.

Assim a autora provoca-nos a repensar, em parte, e a partir de um exemplo empírico específico a historiografia da musicologia em Portugal. Partindo assim a compositora, educadora e musicóloga Francine Benoit a autora estudas as suas redes de sociabilidade problematizando os silenciamento e invisibilidades desta em torno, em especial da sua sexualidade.

Partindo de análise baseada na escrita diarística e epistolar de Francine Benoit, Lopes Braga revisita as redes de amizade e de relação amorosa e afectivas de um conjunto de mulheres, que tem um papel central na vida cultural portuguesa nas décadas de 20 a 60 do século XX.

Helena Lopes Braga problematiza ainda o modo como as “historiografias oficiais” tem retratado esta destacada mulher, questionando cânones académicos e abrindo portas de investigação futura.

Da mesma autora aconselho ainda a leitura do artigo “Para a História da Invisibilidade Lésbica na Musicologia: Francine Benoit” na revista LES Online, Vol.4, nº1.

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DE FRANCINE BENOÎT E ALGUMAS DAS SUAS REDES DE SOCIABILIDADE: INVISIBILIDADES, GÉNERO E SEXUALIDADE ENTRE 1940 E 1960

Da compositora, pedagoga e musicógrafa Francine Benoît (1896-1990), preocuparam-me os silêncios, os não ditos. Esta dissertação propõe-se tecer algumas considerações sobre as suas redes de sociabilidades e analisar as negociações do silenciamento e da omissão da vida privada de Francine Benoît, focando-se nos anos entre 1940 e 1960.

Apoiando-me em considerações sociológicas que abrangem desde Simmel a Goffman, Foucault, Bourdieu e Wiewiorka, mas também em estudos sobre as mulheres (Millett, Beauvoir, Pimentel, Tavares), estudos lésbicos (Castle, Klobucka) e na teoria queer (Butler, Preciado), explorei as ligações de Francine Benoît com outras mulheres, enquanto figura agregadora de redes de sociabilidad es de intelectuais, baseando-me essencialmente nos seus registos epistolográficos e nos seus diários.

As minhas considerações foram complementadas com um a análise da situação da mulher portuguesa durante o Estado Novo, tendo em conta os particularismos de Benoît, nomeadamente segundo o triângulo da diferença de Wiewiorka: identidade colectiva, indíviduo, sujeito, e as permanentes negociações entre os seus vértices (2002). Entendi-a como alvo de estigmatização e auto-estigmatização, devido a várias nuances da sua identidade, que vão desde o ser mulher, a ser estrangeira, a viver afectividades lésbicas.

PALAVRAS-CHAVE: género, sociabilidades, invisibilidades, sexualidade.

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