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(pmr21) recado Março 1, 2015

Posted by paulo jorge vieira in poesia.
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(hoje estou poesia. os poetas fazem-me estar poesia)

alb

ouve-me
que o dia te seja limpo e
a cada esquina de luz possas recolher
alimento suficiente para a tua morte
vai até onde ninguém te possa falar
ou reconhecer – vai por esse campo
de crateras extintas – vai por essa porta
de água tão vasta quanto a noite
deixa a árvore das cassiopeias cobrir-te
e as loucas aveias que o ácido enferrujou
erguerem-se na vertigem do voo – deixa
que o outono traga os pássaros e as abelhas
para pernoitarem na doçura
do teu breve coração – ouve-me
que o dia te seja limpo
e para lá da pele constrói o arco de sal
a morada eterna – o mar por onde fugirá
o etéreo visitante desta noite
não esqueças o navio carregado de lumes
de desejos em poeira – não esqueças o ouro
o marfim – os sessenta comprimidos letais
ao pequeno-almoço

Al  Berto in Horto de incêndio, Lisboa: Assírio & Alvim, 1997

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Comentários»

1. João Roque - Março 1, 2015

Adoro o Al Berto…

paulo jorge vieira - Março 1, 2015

também eu…


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