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Sem Direitos Iguais Todos Perdemos Junho 30, 2016

Posted by paulo jorge vieira in activismo, Uncategorized.
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No dia 3 de Julho, a partir das 14 horas, no Martin Moniz, os imigrantes vão realizar uma acção, promovida pela PIC – Plataforma Imigração e Cidadania, em defesa dos seus direitos e de protesto contra o bloqueio dos processos de legalização e os procedimentos securitários do Estado Português.

A atual lei de imigração é restritiva e impede que milhares de estrangeiros que vivem e trabalham em Portugal se legalizem, continuando a ser este o principal problema com que se debatem milhares de imigrantes. E que assim, permanecem indocumentados, sem direitos, sujeitos ao abuso dos patrões sem escrúpulos; com o reagrupamento familiar sujeito a um tecto salarial e a renovação de documentos constantemente dificultada, para além das outras injustiças e burocracias com que no dia-a-dia são confrontados.

A Lei de Imigração em vigor não pode andar ao sabor das interpretações de cada director nomeado para a dirigir o SEF.
Recentemente, o Despacho Nº 7/2016, de 21 de Março, da Diretora Nacional do SEF, veio anular todas as normas até então em vigor relativamente à entrada legal de estrangeiros em Portugal, determinando que só está em condições de iniciar o processo de legalização quem:
– tenha visto Schengen;

– tenha entrado no país dentro do prazo de validade do visto Schengen (15 a 30 dias);
– faça prova dessa entrada junto a autoridade policial portuguesa.

Este Despacho tornou praticamente impossível a qualquer estrangeiro que tenha entrado em Portugal antes de Março de 2016 cumprir com o que agora é exigido. De uma assentada mantém-se ilegalizados cerca de 90% dos imigrantes que se encontravam em processo de legalização, criando uma situação intolerável, de estigmatização e exclusão de milhares de pessoas que procuram o nosso país para trabalhar e viver, fugindo da guerra e da fome, procurando uma vida melhor a que todos têm direito.

Por outro lado, o Despacho também serve para instrumentalizar e policiar os Serviços Públicos, sendo assim orientados pelo SEF no sentido de impedir a inscrição dos imigrantes na Segurança Social e nas Finanças, com o único objectivo de travar os processos de legalização. Ao mesmo tempo que se estabelece uma clara discriminação entre imigrantes ricos – os candidatos aos Visa Golden – e imigrantes pobres. Os primeiros com tratamento VIP e processos céleres, que podem demorar uma semana, enquanto os outros se vêm sujeitos as restrições de toda a ordem, com processos que podem a demorar três e mais anos.

A enorme carga burocrática, nunca vista, que recai sobre os processos de regularização dos imigrantes é intolerável e discriminatória. Os agendamentos para obtenção de Autorização de Residência ( Artº 123º) encontram-se cancelados até à segunda semana de Dezembro. Os processos de regularização estão a demorar, em média, três anos, para os imigrantes com mais de um ano de trabalho e residência no nosso país.

Por isso, no dia 3 de Julho, os imigrantes vão exigir:
– a r
evogação imediata do Despacho Nº 6/2016, de 21 de Março, do SEF, que impede a legalização dos imigrantes;
a criação de um processo regular e ordinário de legalização de todas e todos os imigrantes;
– que os
processos de legalização deixem de ter a brutal carga da excepcionalidade que dá ao SEF um excessivo poder discricionário e impede os imigrantes de exercer o seu direito de defesa;
– q
ue os processos de regularização dos imigrantes sejam céleres, sem grandes burocracias e assentes num clima de confiança;
– q
ue todas e todos os imigrantes tenham o direito de se inscreverem na Segurança Social e nas Finanças, procederem aos respectivos descontos, independentemente da sua situação jurídica em território nacional.

(comunicado da Plataforma organizadora)

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Reflections On Pulse & Queer Resilience: Demetrius McClendon Junho 15, 2016

Posted by paulo jorge vieira in Uncategorized.
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“i see now that revolution is not a destination, but a continuation. And that i’m blessed with this time right here, right now to share all that i have learned. My truth.”

Fonte: Reflections On Pulse & Queer Resilience: Demetrius McClendon

uma música para os que partiram Junho 14, 2016

Posted by paulo jorge vieira in LGBT em portugal, Uncategorized.
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You’ll Never Walk Alone” (1945, Rodgers and Hammerstein) na voz de Judy Garland

 

When you walk through a storm
Hold your head up high
And don’t be afraid of the dark
At the end of the storm
There’s a golden sky
And the sweet silver song of a lark

Walk on through the wind
Walk on through the rain
Though your dreams be tossed and blown

Walk on walk on with hope in your heart
And you’ll never walk alone
You’ll never walk alone

When you walk through a storm
Hold your head up high
And don’t be afraid of the dark
At the end of the storm
Is a golden sky
And the sweet silver song of the lark

Walk on through the wind
Walk on through the rain
Though your dreams be tossed and blown

Walk on walk on with hope in your heart
And you’ll never walk alone
You’ll never walk

You’ll never walk
You’ll never walk alone

 

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“Eu sou homossexual e sou gay e sou bicha e maricas e paneleiro e durante muito tempo não quis ser nada disto” Junho 14, 2016

Posted by paulo jorge vieira in LGBT em portugal, Uncategorized.
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(também o actor João Villas-Boas escreveu este outro texto que nos alerta para a contínua violência de que a população LGBT é alvo. mais uma partilha que vale a pena ler)

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Eu sou homossexual e sou gay e sou bicha e maricas e paneleiro e durante muito tempo não quis ser nada disto. Durante muito tempo neguei tudo isto porque à minha volta não tinha exemplos da normalidade de o ser.

Estudei desde os 3 aos 18 num colégio católico, maioritariamente de pessoas de direita; tinha uma paróquia onde fiz campos de férias e por isso, até me ter mudado para Coimbra, à minha volta o que muitas vezes ouvia era como o que eu sou era menor, odiável, reprovável, absurdo, contra-natura, nojento.

À custa de ser como sou já me cuspiram, bateram, insultaram, enxovalharam, perseguiram e me fizeram muitas vezes acreditar que eu era menor por isso.

E adorava poder dizer que isso já não acontece mas até mesmo entre homossexuais já ouvi dizer para me deixar de paneleirices, que os homens não choram, que sou um mariquinhas.

Até mesmo na minha área, que supostamente é mais liberal, já me disseram que não queriam trabalhar comigo porque eu era muito bicha ou simplesmente porque era gay.

E por isso custa-me ver colegas a abdicarem do que são para se conformarem com a norma, que escondem os abraços e os beijos, os trejeitos e o à vontade, a sua liberdade para se ajustarem ao que está errado e que precisa de ser mudado.

E tem que ser mudado para que as pessoas não tenham que esconder o que são, para sentirem o à vontade de mostrarem quem são. Para que o médico, o advogado, o futebolista, o trolha, o actor ou o padre possam simplesmente ser.

É à custa de tanto ser ocultado e nada aceite que apanhei miúdos em desespero, sem saber o que fazer, com medo de represálias no seio familiar; para quem, tal como eu, o escape seguro é o padre que está ali ao lado e com quem se tem uma relação (que no meu caso mesmo não sendo pedófila, foi de poder) e que no dia seguinte está na homilia a criticar aquilo que se fez na noite anterior.

A primeira vez que tive uma interacção consciente com outro homossexual senti-me tão mal que me lavei com lixívia e tudo porque eu precisava de ser desinfectado.

Tive uma família que me amou e que me ama, que me aceita. Aceitou quem levei lá a casa. Fui também fazendo a minha família através dos meus amigos e das pessoas que me acompanham e com as quais eu discuto estes temas e que têm como eu a mesmo vontade de mudar o mundo, de o deixar melhor: mais compreensivo, mais amoroso, menos preconceituoso.

Isto tudo para dizer: amem mais, critiquem menos e apoiem cada um a ser como é e o resto que se foda.

obrigado Rui Junho 14, 2016

Posted by paulo jorge vieira in LGBT em portugal, Uncategorized.
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(um texto simples que o Rui M. Pego pubicou ontem no facebook. a coragem de sair do armário de ser capaz de dar o corpo a esta luta num momento de dor é mesmo de salientar e de louvar. obrigado Rui.)

thumbs.web.sapo.io

“Há uns tempos um amigo perguntava-me: “o que é isso de ser figura pública? Já se qualificam como figuras públicas, as meninas apanhadas a fazer amor no Main?”

Dificilmente. Por mais que já se lhes conheça alguns ângulos mortos.

Conheço pessoas que dizem ser “figura pública por profissão”. Ou seja, existem, respiram, de forma… Pública. O seu trabalho é esse: oxigenar o sangue à frente dos outros.

Tudo bem. Cada um respira como quer. Menos aqueles que acabam mortos por não respirarem como é suposto.

E não estou aqui a fazer uma graça com asmáticos. Morreram 50 pessoas em Orlando – terra da Disney – que ousaram ser quem são dentro de um local que imaginavam seguro.

No fundo, respiravam. Lá na vida deles. Ligeiramente entrincheirados numa discoteca lá “deles”.

Para sempre “meio entrincheirados”.

Porque é sempre assim, não é? Morreram “aqueles”. Aqueles sírios. Aqueles turcos. Aquelas nigerianas raptadas e violadas pelo Boko Haram. Aqueles paneleiros que quiseram abanar-se ao som de Ariana Grande.

Não digo paneleiros para chocar. Digo-o porque as palavras têm vida; memória. Digo-o porque esses paneleiros são iguais a ti que estás a ler isto.

E são completamente iguais a mim; são pessoas.

Por circunstâncias escolhidas e herdadas, sou uma figura pública – por mais que o termo me faça rir.

Contudo, não desconto no IRS com croquetes e não apareço muitas vezes nas revistas que acabam esquecidas em salas de espera. Esse não é o meu trabalho.

O meu trabalho é público. Seja na televisão, ou na rádio, mas gosto de pensar que existe para promover discussão.

É por isso que escolho ter o desplante de falar disto às quase 60 mil pessoas que seguem esta página.

Coincide gostar de homens. Mas gosto mais de que toda a gente possa ser o que quiser, onde quiser, de que forma quiser, sem esperar um balázio na testa.

Não me parece pedir muito.

E eles não pediram muito. Quiseram só estar à vontade.

Não quero pôr um # a trendar.

Quero só que penses como, ao fomentar o ódio, vamos todos parar ao mesmo forno.

É só uma questão de tempo.

Não rezes por Orlando. Trata só os outros com o respeito que gostarias que tivessem por ti.”

e da dor e da revolta Junho 14, 2016

Posted by paulo jorge vieira in diário, Uncategorized.
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entre a dor e a revolta fica a necessidade de nos pensarmos como seres que devem continuamente lutar contra todas as formas de discriminação e opressão. só assim vale a pena.