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(np) feio mundo Março 27, 2019

Posted by paulo jorge vieira in diário.
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Nestes dias, feios e frios, que vivemos só apetece mesmo nos fecharmos em qualquer caverna. Hoje seja qual for o tema a violência discursiva é meio e forma de debate. Assim o mundo se torna duro. Assim se torna difícil estar. Assim se torna difícil viver os dias. Incrível como tanto ódio se destila nos espaços mediáticos, em especial nas redes sociais. Hoje é apenas mais um dia. Um dia de afastamento do mundo.

(np) estéril poemar Março 21, 2019

Posted by paulo jorge vieira in diário.
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Ainda que hoje seja o Dia Mundial da Poesia, e que eu ame fulgurantemente a poesia, sinto uma incapacidade real de poemar. Hoje o poema não se lê, não se vê, não se escreve, não se diz, não se grita. Hoje o poema é uma tristeza sem fundo. Uma dureza limitante. Um poema duro, seco e estéril que não consigo verbar.

(pmr 34) ode à mentira Março 6, 2019

Posted by paulo jorge vieira in poemas, poesia.
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Crueldades, prisões, perseguições, injustiças, 
como sereis cruéis, como sereis injustas? 
Quem torturais, quem perseguis, 
quem esmagais vilmente em ferros que inventais, 
apenas sendo vosso gemeria as dores 
que ansiosamente ao vosso medo lembram 
e ao vosso coração cardíaco constrangem. 
Quem de vós morre, quem de por vós a vida 
lhe vai sendo sugada a cada canto 
dos gestos e palavras, nas esquinas 
das ruas e dos montes e dos mares 
da terra que marcais, matriculais, comprais, 
vendeis, hipotecais, regais a sangue, 
esses e os outros, que, de olhar à escuta 
e de sorriso amargurado à beira de saber-vos, 
vos contemplam como coisas óbvias, 
fatais a vós que não a quem matais, 
esses e os outros todos… – como sereis cruéis, 
como sereis injustas, como sereis tão falsas? 
Ferocidade, falsidade, injúria 
são tudo quanto tendes, porque ainda é nosso 
o coração que apavorado em vós soluça 
a raiva ansiosa de esmagar as pedras 
dessa encosta abrupta que desceis. 
Ao fundo, a vida vos espera. Descereis ao fundo. 
Hoje, amanhã, há séculos, daqui a séculos? 
Descereis, descereis sempre, descereis. 

Jorge de Sena