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hei-de cantar-vos a beleza um dia Maio 1, 2016

Posted by paulo jorge vieira in literatura, poesia, Uncategorized.
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Acusam-me de mágoa e desalento,

como se toda a pena dos meus versos

não fosse carne vossa, homens dispersos,

e a minha dor a tua, pensamento.

 

Hei-de cantar-vos a beleza um dia,

quando a luz que não nego abrir o escuro

da noite que nos cerca como um muro,

e chegares a teus reinos, alegria.

 

Entretanto, deixai que me não cale:

até que o muro fenda, a treva estale,

seja a tristeza o vinho da vingança.

 

A minha voz de morte é a voz da luta:

se quem confia a própria dor perscruta,

maior glória tem em ter esperança.

 

Carlos de Oliveira

Soneto – “Mãe Pobre”  in Trabalho Poético, Livraria Sá da Costa Editora, 1998, pp. 46.

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Ou então a literatura é uma batata Fevereiro 21, 2016

Posted by paulo jorge vieira in literatura, Uncategorized.
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“Nós, escritores, trabalhamos com palavras. Não nos é lícito ignorar que podem ser uma arma de força terrível ou terrivelmente frágeis. Podem apoucar as verdades ou revelar-lhes os gumes mais finos e luminosos. O nosso ofício consistem em escolher as palavras, utilizá-las no momento exacto, atenuá-las, engrandecê-las, dominá-las. E o que são as palavras? Língua, linguagem, povo, oralidade, escrita, herança literária. A reestruturação da técnica narrativa ou poética tem que conhecer até ao pormenor a matéria de que serve. Ou então a literatura é uma batata”

Carlos de Oliveira, “O aprendiz de feiticeiro”, pp.66, Livraria Sá da Costa, 4ºedição, 1995   

(pmr18) Não te Arruínes, Alma, Enriquece Fevereiro 12, 2015

Posted by paulo jorge vieira in poemas.
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Buscando a felicidade (1)

Centro da minha terra pecadora, 

alma gasta da própria rebeldia, 

porque tremes lá dentro se por fora 

vais caiando as paredes de alegria? 

Para quê tanto luxo na morada 

arruinada, arrendada a curto prazo? 

Herdam de ti os vermes? Na jornada 

do corpo te consomes ao acaso? 

Não te arruínes, alma, enriquece:

vende as horas de escória e desperdício 

e compra a eternidade que mereces, 

sem piedade do servo ao teu serviço. 

Devora a Morte e o que de nós terá,

que morta a Morte nada morrerá. 

William Shakespeare,

Carlos de Oliveira (1921-1981) transpôs para português sete dos sonetos de Shakespeare (1564-1616) a que chamou “Sonetos de Shakespeare rescritos em português”.