jump to navigation

regressarei com o lume do rio a guiar-me Maio 15, 2017

Posted by paulo jorge vieira in poemas, poesia, Uncategorized.
Tags: ,
add a comment

5676018807_42cf53e927_z

prometo-te que uma noite voltarei, sem bússola, regressarei com o lume do rio a guiar-me, e que os olhos pousarão nos teus olhos este frémito de água. acredito nas ruas que existem por detrás dos óculos dos marinheiros, onde descansa um barco e tu foges, não acredito em ti. um fio de água enforca-nos. foi então que resolveste prosseguir viagem sozinho, com a tua adolescência um pouco ferida. eu acreditei no fogo e no silêncio que, de manhã lavam os corpos, tornando-os de novo navegáveis. esperei, ainda te espero. ando por aí a mariscar com os nativos, escondendo do mundo a tristeza que me devora o corpo.

Al Berto, Excerto de «Roulottes da Noite de Lisboa»

 

Anúncios

não te prives – contributo para marcha orgulho de Lisboa 2013 Junho 16, 2013

Posted by paulo jorge vieira in activismo, LGBT em portugal.
Tags: , , ,
add a comment
marcha2
aqui fica o texto de contributo da associação não te prives – grupo de defesa dos direitos sexuais para a Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa na sua edição de 2013

O reconhecimento de uma variedade de orientações sexuais e relacionais, com identidades de género diversas, é o caminho para uma sociedade mais justa, porque inclusiva. Esse tem sido o caminho jurídico que Portugal, na esteira de outros países, tem seguido. Mas sabemos que a transformação cultural – a igualdade de facto – é um processo muito lento e porventura mais escorregadio. A coexistência de leis justas e atitudes discriminatórias sucede porque o preconceito se reproduz, tentacular, com a cumplicidade individual e institucional proveniente de muitos lugares quotidianos. Por isso importa resistir à tentação da acomodação, não desperdiçando oportunidades públicas de intervenção social.

A não te prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais co-organiza a Marcha do Orgulho LGBT em Lisboa desde 2002 porque acreditamos no poder da acção colectiva. Conhecemos os rostos de quem empurra o armário, o desarruma, remove prateleiras até finalmente sair dele. Queremos celebrá-lo, assim como queremos celebrar o progresso jurídico, político e social de um Portugal democrático. Mas conhecemos também os rostos das pessoas que sofrem violência, que vivem escondidas, que estão no desemprego, que foram rejeitadas pela família biológica ou cujas famílias de facto o Estado tarda em reconhecer. Queremos denunciá-lo e dizer a todos/as que estamos aqui, não baixamos os braços nem o volume do megafone neste grito de indignação e exigência: nem menos, nem mais, direitos iguais!

Este ano mais do que nunca sair à rua é também uma afirmação clara de que a luta pelos direitos humanos e pelos direitos sexuais só se faz na concomitante luta pela defesa do Estado Social, no combate à austeridade sem fim, e pela afirmação de uma sociedade mais justa e igualitária.

não te prives

IMG_5543