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(pmr32) eu escrevi um poema triste  Setembro 10, 2017

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Tristeza

Eu escrevi um poema triste 
E belo, apenas da sua tristeza. 
Não vem de ti essa tristeza 
Mas das mudanças do Tempo, 
Que ora nos traz esperanças 
Ora nos dá incerteza… 
Nem importa, ao velho Tempo, 
Que sejas fiel ou infiel… 
Eu fico, junto à correnteza, 
Olhando as horas tão breves… 
E das cartas que me escreves 
Faço barcos de papel! 

Mário Quintana, in ‘A Cor do Invisível’

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hei-de cantar-vos a beleza um dia Maio 1, 2016

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rain

 

Acusam-me de mágoa e desalento,

como se toda a pena dos meus versos

não fosse carne vossa, homens dispersos,

e a minha dor a tua, pensamento.

 

Hei-de cantar-vos a beleza um dia,

quando a luz que não nego abrir o escuro

da noite que nos cerca como um muro,

e chegares a teus reinos, alegria.

 

Entretanto, deixai que me não cale:

até que o muro fenda, a treva estale,

seja a tristeza o vinho da vingança.

 

A minha voz de morte é a voz da luta:

se quem confia a própria dor perscruta,

maior glória tem em ter esperança.

 

Carlos de Oliveira

Soneto – “Mãe Pobre”  in Trabalho Poético, Livraria Sá da Costa Editora, 1998, pp. 46.

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City Break (Tim Cresswell) Agosto 24, 2015

Posted by paulo jorge vieira in geografias, poesia.
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City Break       

The smart hotel in Lisbon              
we ran to in foreign rain,       
       
child-­free and eager,                     
touching more, together,       
       
duvet discarded, a new              
city outside. Who’d have guessed       
       
the whole shebang was on the verge              
of economic ruin?              
       
What mattered? Me inside you.              
The absence of necessity.       

a poem of Tim Cresswell from the book Soil

(pmr20) soneto do amigo Fevereiro 18, 2015

Posted by paulo jorge vieira in poemas.
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Vinicius e Tom Jobim

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…

Vinicius de Moraes

(pmr17) Corpo Celeste Fevereiro 11, 2015

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estrelas-12

Corpo Celeste

Um corpo quando se desfaz liberta pó

cinza de luz.

Eu encosto-me à tarde, contra a solidez

da terra. A melancolia arde

na palidez do corpo.

levantam-se do meu sono auroras.

Há fogos no céu que explodem

que se alimentam só do meu corpo.

Libertam-se anjos, focos brancos.

A terra leveda alada. Azeda.

Uma flor cresce entre as minhas vértebras

saudosa. Mergulha raízes

no Iodo do meu amor.

É uma estrela reabsorvida pelo céu

que se alimenta da minha morte.

António Cândido Franco

existe uma paisagem (para além) de nós. Fevereiro 10, 2015

Posted by paulo jorge vieira in poemas.
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the-dark-crow

existe uma paisagem (para além) de nós.

uma paisagem fria e triste.

uma paisagem de solidões profundas

uma paisagem de caminhos por fazer,

de ideias por lutar,

de lutas contras as opressões todas

uma paisagem em que estamos

tu, eu, el*s

uma paisagem que temos de transformar

uma paisagem de luta.

uma paisagem

Fados Fevereiro 4, 2015

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fados

Fado do Coração

Sei que sou haste macia

Que no vento anda vazia

E a mais leve brisa quebra

Antes ser ramo partido

Do que alma sem sentido

Do teu coração de pedra

Passa o dia, passa a hora

Sem que me vá embora

Da cela em que me encerro

Grilheta estreita com zelo

Prendendo-me o tornozelo

Ao teu coração de ferro

Antes ser onda pequena

Que à praia morre serena

Sem dar aviso ou sinal

Do que ser grito que estala

O gelo em que me embala

Teu coração de cristal

Lavra o fogo ateado

Na floresta do meu fado

Destruindo a frágil árvore

Antes cinza de braseiro

Que o sono frio derradeiro

Do teu coração de mármore

Este “fado/poema” é da autoria do Miguel Botelho (ver aqui o seu blog) e publicado em mais uma das edições da INDEX ebooks. Este livro com o titulo FADOS reúne um conjunto de poemas que consituem um (possível) reportório para ser cantado em registo faduncho. São textos cheios de ironias e alguma alma triste que valem bem a leitura.

 

 

(pmr15) Foram Breves e Medonhas as Noites de Amor Fevereiro 1, 2015

Posted by paulo jorge vieira in literatura, poemas.
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peras

(fotografia de rachelbourgault)

Foram Breves e Medonhas as Noites de Amor

foram breves e medonhas as noites de amor
e regressar do âmago delas esfiapava-lhe o corpo
habitado ainda por flutuantes mãos

estava nu
sem água e sem luz que lhe mostrasse como era
ou como poderia construir a perfeição

os dias foram-se sumindo cor de chumbo
na procura incessante doutra amizade
que lhe prolongasse a vida

e uma vez acordou
caminhou lentamente por cima da idade
tão longe quanto pôde
onde era possível inventar outra infância
que não lhe ferisse o coração

Al Berto, “O Medo”

(pmr) sentidos Janeiro 26, 2015

Posted by paulo jorge vieira in poemas.
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beijo2

Escrevo os sentidos dos dias em nós. Deixo que me invadas cheio de carinho. Deixo que o teu corpo me toque com a dureza que o tempo lhe dá. Deixo que o cheiro das tuas entranhas me ocupe os poros. Deixo que o furor dos movimentos se instale como ruido de fundo nos meus ouvidos. Deixo que a partilha dos líquidos seja a partilha de sabores gourmet. Deixo que os sentidos fiquem inundados de provocações que dão senso ao que escrevo!

(Jorge Christina Alves)

(pmr) inesperadamente Janeiro 18, 2015

Posted by paulo jorge vieira in diário.
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sonho

Inesperadamente inscrevo-te no meu corpo

Andamos a escutar conversas que não entendemos

Obsessões de sentidos perdidos

Exercendo os poderes das pequenas coisas

Composições de corpos que nos enchem o tempo

Resgatando as pessoas que nos encantam

Diferentes caminhos do desejo

Um fado em que nos encaminhamos até o fim

(Jorge Christina Alves)