jump to navigation

everyday is platitude Novembro 26, 2015

Posted by paulo jorge vieira in academia, Citações, teoria social, Uncategorized.
Tags: ,
add a comment

the-miracles-of-everyday-chemistry.jpg

 

The everyday is platitude (what lags and falls back, the residual life with which our trash cans and cemeteries are filled: scrap and refuse); but this banality is also what is most important, if it brings us back to existence in its very spontaneity and as it is lived – in the moment when, lived, it escapes every speculative formulation, perhaps all coherence, all regularity. Now we evoke the poetry of Chekhov or even Kafka, and affirm the depth of the superficial, the tragedy of nullity. Always the two sides meet (the amorphous, the stagnant) and the inexhaustible, irrecusable, always unfinished daily that which escapes forms or structures (particularly those of political society: bureaucracy, the wheels of government, parties). And that there may be a certain relation of identity between these two opposites is shown by the slight displacement of emphasis that permits passage from one to the other, as when the spontaneous, the informal – that is, what escapes forms – becomes the amorphous and when, perhaps, the stagnant merges with the current of life, which is also the movement of society.

Maurice Blanchot

Blanchot, M. (1987) ‘Everyday Speech’, Yale French Studies 73: 12–20.

Anúncios

… friendship… Junho 20, 2013

Posted by paulo jorge vieira in Citações, teoria social.
Tags: ,
add a comment

frienship

Love and friendship are undoubtedly centrally important in our lives. We devote ourselves to our friends and beloveds, investing much time, money, and energy—emotional and otherwise—in them. Yet these common observations can lead us to ask: why should love and friendship have this sort of central importance in our lives? One common answer is that we do this because love and friendship make our lives much better and richer, and because being a lover, beloved,¹ and a friend can help us become better persons insofar as we thereby strive to be better because of that love and friendship. However, understanding this answer more fully and being able to evaluate it requires understanding what exactly love and friendship are, how our lives as persons are different because of them, and whether this difference is somehow central to our being persons at all or whether it is an optional good, like icing on a cake.

“Love, Friendship, and the Self Intimacy, Identification, and the Social Nature of Persons” by Bennett W. Helm (Oxford University Press, 2009, pp.1)

onde acharei lugar tão apartado Junho 10, 2013

Posted by paulo jorge vieira in Citações, poemas.
Tags:
add a comment
apartado
Onde acharei lugar tão apartado
E tão isento em tudo da ventura,
Que, não digo eu de humana criatura,
Mas nem de feras seja frequentado?

Algum bosque medonho e carregado,
Ou selva solitária, triste e escura,
Sem fonte clara ou plácida verdura,
Enfim, lugar conforme a meu cuidado?

Porque ali, nas entranhas dos penedos,
Em vida morto, sepultado em vida,
Me queixe copiosa e livremente;

Que, pois a minha pena é sem medida,
Ali triste serei em dias ledos
E dias tristes me farão contente.

Luís de Camões

103054976

O menino que escrevia versos Maio 28, 2013

Posted by paulo jorge vieira in Citações, literatura.
add a comment

miacouto

Que melhor maneira temos de salientar a importância do facto de Mia Couto ter sido agraciado com o Prémio Camões? Simplesmente partilhar um dos seus maravilhosos contos convosco! Espero que gostem deste “menino que escrevia versos” e é hoje uma dos mais brilhantes cultores da nossa língua. 

O menino que escrevia versos


Mia Couto

De que vale ter voz
se só quando não falo é que me entendem?
De que vale acordar
se o que vivo é menos do que o que sonhei?

(VERSOS DO MENINO QUE FAZIA VERSOS)

— Ele escreve versos!

Apontou o filho, como se entregasse criminoso na esquadra. O médico levantou os olhos, por cima das lentes, com o esforço de alpinista em topo de montanha.

— Há antecedentes na família?

— Desculpe doutor?

O médico destrocou-se em tintins. Dona Serafina respondeu que não. O pai da criança, mecânico de nascença e preguiçoso por destino, nunca espreitara uma página. Lia motores, interpretava chaparias. Tratava bem, nunca lhe batera, mas a doçura mais requintada que conseguira tinha sido em noite de núpcias:

— Serafina, você hoje cheira a óleo Castrol.

Ela hoje até se comove com a comparação: perfume de igual qualidade qual outra mulher ousa sequer sonhar? Pobres que fossem esses dias, para ela, tinham sido lua-de-mel. Para ele, não fora senão período de rodagem. O filho fora confeccionado nesses namoros de unha suja, restos de combustível manchando o lençol. E oleosas  confissões de amor.

Tudo corria sem mais, a oficina mal dava para o pão e para a escola do miúdo. Mas eis que começaram a aparecer, pelos recantos da casa, papéis rabiscados com versos. O filho confessou, sem pestanejo, a autoria do feito.

— São meus versos, sim.

O pai logo sentenciara: havia que tirar o miúdo da escola. Aquilo era coisa de estudos a mais, perigosos contágios, más companhias. Pois o rapaz, em vez de se lançar no esfrega-refrega com as meninas, se acabrunhava nas penumbras e, pior ainda, escrevia versos. O que se passava: mariquice intelectual? Ou carburador entupido, avarias dessas que a vida do homem se queda em ponto morto?

Dona Serafina defendeu o filho e os estudos. O pai, conformado, exigiu: então, ele que fosse examinado.

— O médico que faça revisão geral, parte mecânica, parte eléctrica.

Queria tudo. Que se afinasse o sangue, calibrasse os pulmões e, sobretudo, lhe  espreitassem o nível do óleo na figadeira. Houvesse que pagar por sobressalentes, não importava. O que urgia era pôr cobro àquela vergonha familiar.

Olhos baixos, o médico escutou tudo, sem deixar de escrevinhar num papel. Aviava já a receita para poupança de tempo. Com enfado, o clínico se dirigiu ao menino:

— Dói-te alguma coisa?

—Dói-me a vida, doutor.

O doutor suspendeu a escrita. A resposta, sem dúvida, o surpreendera. Já Dona Serafina aproveitava o momento: Está a ver, doutor? Está ver? O médico voltou a erguer os olhos e a enfrentar o miúdo:

— E o que fazes quando te assaltam essas dores?

— O que melhor sei fazer, excelência.

— E o que é?

— É sonhar.

Serafina voltou à carga e desferiu uma chapada na nuca do filho. Não lembrava o que o pai lhe dissera sobre os sonhos? Que fosse sonhar longe! Mas o filho reagiu: longe, porquê? Perto, o sonho aleijaria alguém? O pai teria, sim, receio de sonho. E riu-se, acarinhando o braço da mãe.

O médico estranhou o miúdo. Custava a crer, visto a idade. Mas o moço, voz tímida, foi-se anunciando. Que ele, modéstia apartada, inventara sonhos desses que já nem há, só no antigamente, coisa de bradar à terra. Exemplificaria, para melhor crença. Mas nem chegou a começar. O doutor o interrompeu:

— Não tenho tempo, moço, isto aqui não é nenhuma clinica psiquiátrica.

A mãe, em desespero, pediu clemência. O doutor que desse ao menos uma vista de olhos pelo caderninho dos versos. A ver se ali catava o motivo de tão grave distúrbio. Contrafeito, o médico aceitou e guardou o manuscrito na gaveta. A mãe que viesse na próxima semana. E trouxesse o paciente.

Na semana seguinte, foram os últimos a ser atendi dos. O médico, sisudo, taciturneou: o miúdo não teria, por acaso, mais versos? O menino não entendeu.

— Não continuas a escrever?

— Isto que faço não é escrever, doutor. Estou, sim, a viver. Tenho este pedaço de vida — disse, apontando um novo caderninho — quase a meio.

O médico chamou a mãe, à parte. Que aquilo era mais grave do que se poderia pensar. O menino carecia de internamento urgente.

— Não temos dinheiro — fungou a mãe entre soluços.

— Não importa — respondeu o doutor.

Que ele mesmo assumiria as despesas. E que seria ali mesmo, na sua clínica, que o menino seria sujeito a devido tratamento. E assim se procedeu.

Hoje quem visita o consultório raramente encontra o médico. Manhãs e tardes ele se senta num recanto do quarto onde está internado o menino. Quem passa pode escutar a voz pausada do filho do mecânico que vai lendo, verso a verso, o seu próprio coração. E o médico, abreviando silêncios:

— Não pare, meu filho. Continue lendo…

 

 

… seeing the stars… Janeiro 8, 2013

Posted by paulo jorge vieira in Citações, poemas.
Tags: ,
add a comment

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Yo me veo relajadísima, mucho más que los otros… Julho 25, 2010

Posted by paulo jorge vieira in Citações, lgbt no mundo.
add a comment


Polémica como sempre a filósofa do estado espanhool, Beatriz Preciado dá-nos uma aula de provocação nesta entrevista. Leituras diversas sobre a crítica queer ao sexo, género e a homo/heterossexualidade como constructos sociais…

Usa conceptos como ‘biohombre’, ‘biomujer’, ‘biopolítica’; la biología está en su obra.
Sí, me interesa la vida, pero en su dimensión somática, carnal, corporal.
También habla de arquitectura, de la ciudad como organismo.
Quizá el origen de todo sea el cuerpo, pero no como organismo natural, sino como artificio, como arquitectura, como construcción social y política. Eso que siempre imaginamos como biológico -la división entre hombre y mujer, masculino y femenino- y que es una construcción social. Me interesa la dimensión técnica de eso que parece natural.
Hablamos de género en Occidente en 2010. Pero pensemos en un niño que nace en Malí, ¿su sexo y su género también es artificio biopolítico?
Claro, fíjate en las distinciones que estableces. Para indicar naturaleza, piensas en África, como si aquí estuviera la tecnología y el artificio, y en África, la naturaleza. Estas distinciones funcionan para lo masculino y lo femenino. Lo masculino como técnica, construcción, cultura. Lo femenino como naturaleza, reproducción. Lo que es construido es esa distinción naturaleza/cultura que no existe, que es ficticia
.
¿Los cromosomas XX y XY no significan nada?

Son un modelo teórico que aparece en el siglo XX para intentar entender una estructura biológica, punto.
Sostiene que la sexualidad es plástica. Que no es una constante en la vida, ni siquiera en el día. ¿Esa es la esencia de su teoría?
En parte sí, en el sentido de que la sexualidad, que es de forma más amplia la subjetividad, y en la que entra la identidad y la orientación sexual, los modos de desear, los modos de obtener placer, son plásticos. Y precisamente por eso están sometidos a regulación política. Si fueran naturales y determinados de una vez por todas, no la habría.
Por regulación se refiere a que se determine que se es hombre o mujer en el DNI, y a ello correspondan X derechos, X deberes, X roles.
Exacto. Hay un enorme trabajo social para modular, controlar, fijar esa plasticidad. Y no sólo política, también psicológicamente. Cada individuo es una instancia de vigilancia suprema sobre su propia plasticidad sexual. Cuando preguntabas de dónde viene mi rebelión, es de ahí. Cómo es posible que no estemos en revuelta constante, que esto no sea la revolución.

(também publicado em 5 dias)