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(pmr) Amo-te nesta ideia nocturna da luz nas mãos Janeiro 3, 2021

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Amo-te nesta ideia nocturna da luz nas mãos


Amo-te nesta ideia nocturna da luz nas mãos
E quero cair em desuso
Fundir-me completamente.
Esperar o clarão da tua vinda, a estrela, o teu anjo
Os focos celestes que a candeia humana não iguala
Que os olhos da pessoa amada não fazem esquecer.
Amo tão grandemente a ideia do teu rosto que penso ver-te
Voltado para mim
Inclinado como a criança que quer voltar ao chão.

Daniel Faria

“Poesia”, Assírio & Alvim, Porto, 2012, p. 245

(np) renascer do luto Janeiro 2, 2021

Posted by paulo jorge vieira in diário.
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Hoje o dia corre lento. Os corpos dizem de si. Gemem. Os livros espelham mundos em palavras novas, em frases inventivas.

Hoje o dia corre lento. E nesta lentidão do dia penso nas dores. Penso nas dores das pessoas que partiram. O ano que passou foi duro. Perdi pessoas demasiado importantes. Umas porque a morte mas levou, outras porque a vida nos apartou. Doeu muito.

Ainda dói. Mas essa dor daqueles que partem, ou daqueles que a vida afasta de nós. Essa dor dilacera. Mas também nos faz crescer. E os lutos de 2020 serão etapas da partilha e do renascimento que vamos vivendo. Que esses lutos nos façam crescer.

“O Ciclo Curto das Noites” Janeiro 2, 2021

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“O Ciclo Curto das Noites” de João Eduardo Ferreira e Paulo Romão Brás, A Morte do Artista, Lisboa, 2019 ( li de 06/12/2020 a 02/01/2021)

Este livro é um belo objecto. Os poemas de João Eduardo Ferreira são antecipados pelas ilustrações de Paulo Romão Brás. São 16 belas páginas negras com ilustrações azuladas que nos encaminham para um mundo de sonhos.  Por seu lado os textos fazem nos caminhar no espaço terrestre cheio de volumes, de líquidos, de corpos e das suas acções. 

Aqui ficam alguns dos meus poemas preferidos do livro.

O volume de um perfil 

Sim, as estátuas, esses belos e antigos ermos, 

estão a salvo do pudor.

Apenas pedra e frio. Sílica. 

Sangue mineral.

A elas regressamos, sempre

***

Fogo Preso

Ser-se do corpo como jamais seremos

Guardar-se nele o sopro constante do marinheiro 

Sabendo que da maresia receberemos 

O exalo que por vezes é tão breve, tão primeiro

Seremos sempre nos olhos o seu olhar 

Recebendo o quieto instante que o mar lavra

E que nos seus lábio sabemos vão guardar

A onda mais forte que é o oceano a palavra.

(…)

***

Um beijo

Um beijo só pode ser definido 

se repetido, como o eco das palavras 

lançadas ao risco do abismo.

Um beijo só pode ser molhado 

pela língua doce da saliva, 

como a pedra que desliga e repete na 

superfície da água humedecendo o lado 

que guarda a probabilidade 

da levitação 

***

Manhã 

Por vezes, há um som claro na manhã, 

uma voz limpa, um ponto alto, 

sem sombra, sem explicação, 

apenas a luz de um reflexo na ausência da história 

ou de memória que lança a vontade em direção 

do que fazer. Nada de argumentos práticos

ou de contestação híbrida.

Apenas a demanda do futuro.

Aquilo  que realmente está escrito será dito 

porque sem pressentimento ou destino. 

Coisa que se apodera, sem direito a devolução ou 

modo de recriminação, de um som claro

que surge, assim, sem querer mas por imposição, 

como o acto indissolúvel 

que é esta minha manhã. 

2021 Janeiro 1, 2021

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(np) fixações Setembro 4, 2020

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Nas piadas e nos comentários entre gente de esquerda e de direita surge volta e meia o nome de Chomsky. É uma daquelas fixações que não entendo. Como exemplo o Pedro Mexia tem um divertido texto chamado “A remela de Chomsky” (“O estado civil”, pp.131)

Afinal que tem de particularmente interessante para a esquerda? Ou dito de outro modo, porque encanita tanto os panfletários de direita?

(np) as notas Setembro 4, 2020

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as notas que escrevo nos cadernos, por vezes irão saltar para este página/blog. apenas para as guardar. apenas isso. guardar o que se vai escrevendo no caderno que se arrasta connosco.

Até quando? Um texto de Mamadou Ba Agosto 15, 2020

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Texto exclusivo de Mamadou Ba para o Expresso. “Até quando me vão acusar de ser responsável pelo racismo de que sou vítima? Até quando continuarão a dizer que sou igual àqueles que me violentam e me querem matar? Até quando continuarão a pedir-me para esperar enquanto se vai matando ou ameaçando matar uma parte de mim? Até quando? (…) A única decência que espero dos que insistem em negar ou relativizar o racismo é que tenham a inteligência e a coragem de matar o racismo antes que ele nos mate”

Até quando?

“If we must die, O let us nobly die,
So that our precious blood may not be shed
In vain; then even the monsters we defy
Shall be constrained to honor us though dead!”

Claude Mckay

Nos últimos anos houve milhares de queixas por discriminação racial junto do órgão competente, a Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial, sem contar com as centenas de casos de racismo que motivaram queixas nos tribunais. Algumas dezenas destes casos suscitaram mesmo um enorme debate público no país. Vou lembrar apenas alguns dos que suscitaram discussão pública.

Em fevereiro de 2015, dezenas de agentes policiais torturaram seis cidadãos negros na esquadra de Alfragide e, enquanto agrediam e torturavam, os agentes proferiam insultos racistas contra as vítimas.

Em fevereiro de 2107, a comunidade cigana de Santo Aleixo da Restauração, no concelho de Moura, foi alvo de ameaças de morte pintadas em paredes da povoação, com suásticas desenhadas nas paredes, ataques incendiários que não pouparam casas, animais, viaturas automóveis e até o edifício da igreja onde as famílias realizavam o culto religioso. À moda dos pogroms nazis.

No mesmo mês de fevereiro de 2017, estalou também a polémica sobre a segregação escolar com a existência de uma escola de Famalicão em que os alunos eram todos de etnia cigana.

Em julho de 2017, o presidente da junta de Freguesia de Cabeça Gorda, no concelho de Beja, recusou o enterro e o velório na casa mortuária de um membro da comunidade cigana.

Em janeiro de 2018, um grupo de pais e mães de crianças do 4º ano da Escola Básica Major David Neto, em Portimão, denunciam maus-tratos, racismo, xenofobia e discriminação contra os seus educandos.

Em 2108, na noite de São João, Nicol Quinayas foi agredida pelo segurança de um autocarro dos transportes públicos do Porto. A vítima e quem estava com ela relataram insultos racistas. Houve também, na altura, um grande debate na sociedade portuguesa.

Em janeiro de 2019, a família Coxi, moradora no bairro do Vale de Chícharos, vulgarmente conhecido por Jamaica, foi selvaticamente agredida por agentes da PSP.

Em dezembro de 2019, o estudante cabo-verdiano Luís Giovani Rodrigues foi espancado até à morte, em Bragança. Os contornos das agressões e da sua morte foram ocultados quase durante uma semana.

Em janeiro de 2020, Cláudia Simões foi agredida pelo agente Carlos Canha numa paragem de autocarro na Amadora e, posteriormente, na viatura que a conduziu à esquadra, porque a sua filha de oito anos não trazia o passe consigo.

Em fevereiro de 2020, Moussa Marega foi alvo de continuados urros racistas dos adeptos de Guimarães. Depois de ter enfrentado sozinho os insultos, abandonou o campo num enorme gesto de coragem.

Em junho de 2020, Evaristo Martinho assassinou premeditadamente o ator negro Bruno Candé Marques, em plena luz do dia numa rua de Moscavide, após três dias de insultos racistas e ameaça explícita de morte.

A eleição de três deputadas negras, vindas do movimento social, com percurso na luta contra o racismo, ao mesmo tempo que a eleição de um deputado assumidamente racista, tornou mais visível a expressão do racismo. O debate tornou-se mais desavergonhado e insano, com a irrupção de uma torrente de ódio no espaço público, através das redes sociais, da comunicação social e da disputa política. Enquanto a escalada ia crescendo, o racismo ordinário foi-se alcandorando no deputado racista como caixa de ressonância das manifestações até agora subterrâneas.

A crescente investida terrorista da extrema-direita no espaço público, a partir de junho, com um raide de “pichagens” racistas em vários edifícios e murais na área metropolitana de Lisboa, com ameaças explícitas de violência e morte, estão em linha com o curso da escalada. Esta escalada culminou com o ataque à sede do SOS, a parada ku klux klan e as ameaças de morte a ativistas e eleitos. No que toca a um claro incitamento ao ódio e à violência, as últimas ameaças já ultrapassam todas as linhas vermelhas da disputa política. E são a consequência natural da escalada racista que André Ventura tem protagonizado, dando legitimidade à ação terrorista dos grupos neonazis. A frouxidão com que o arco partidário parlamentar tem lidado com a agenda racista de André Ventura, seja por taticismo político, seja por omissão ou por adesão, criou as condições para a afirmação destemida do racismo no espaço público. André Ventura, que instalou o discurso racista da rua na Assembleia da República, e todos aqueles que, por omissão, adesão ou silêncio optam por não o enfrentar ou por alimentá-lo, são imputáveis dos desmandos terroristas da extrema-direita. Também os mercenários financeiros da elite económica nacional que custeiam o seu projeto assassino da democracia responderão pela desgraça que significa a ascensão do fascismo e do racismo.

Aliás, torna-se impossível varrer o racismo para baixo do tapete. A sucessão de casos de violência racista tem contribuído para levantar o véu sobre o carácter estrutural do racismo na sociedade portuguesa. Já não são sustentáveis a negação e a desconversa sobre a sua existência e as suas consequências que, por vezes, se revelam trágicas, como foi recentemente no caso do assassinato do ator Bruno Candé Marques. Insistir na negação do racismo ou relativizar a sua dimensão e consequências na vida de milhares dos nossos concidadãos é não assumir a responsabilidade de defender a democracia, tornando-nos coletivamente cúmplices da ameaça que paira sobre ela. Não há vida coletiva nem projeto de sociedade democrático viável em que uma parte dos seus membros é sistematicamente violentada e atirada para fora do tecido nacional. Infelizmente, perante todas as evidências, ainda há quem continue a revelar uma extraordinária pequenez ética e uma desconcertante desonestidade política ao insistir sistemática e histericamente em equiparar o antirracismo ao racismo. Alguma destas pessoas que pedem calma, contenção, sensatez às vitimas de racismo, foi agredida verbal ou fisicamente por ser negra ou cigana no espaço público?; foi impedida de entrar num espaço público, impedida de alugar uma casa, ter acesso a um emprego ou ser paga para a mesma função com menos um terço do salário que o seu colega de trabalho?; foi perseguida e a sua vida privada devassada até exaustão?; foi alvo de chantagem ou perseguição ad hominem permanente e sistematicamente?; sofreu alguma emboscada da extrema-direita em plena via pública?; foi obrigada a mudar de casa por temer pela sua segurança e a da sua família?; teve de mudar de telefone ou conta numa rede social por já não suportar receber insultos e ameaças de todo o tipo, incluindo de morte? Alguma destas pessoas?

É por isso que, perante a ação terrorista da extrema-direita, a exigência de sensatez dos que acham que falar do racismo é fomentá-lo se torna insuportável e soa a indiferença perante o sofrimento e a violência racista. Há muito que os neonazis e os assassinos racistas, como aquele que matou Bruno Candé Marques, se alimentam desta indiferença e do relativismo dos discursos que se querem “sensatos” para não enfrentar o racismo. A calma e contenção e/ou o silêncio perante a violência racista é uma cumplicidade a que nenhum democrata se pode prestar. Enquanto a valorização moral e ética do racismo não tiver o mesmo peso que as outras violências que ofendem a dignidade humana, continuaremos a ter alheamento institucional e pouco investimento político no combate contra o racismo.

Não me peçam calma nem contenção porque estou cansado dos vossos pedidos. Até quando me vão acusar de ser responsável pelo racismo de que sou vítima? Até quando continuarão a dizer que sou igual àqueles que me violentam e me querem matar? Até quando continuarão a pedir-me para esperar enquanto se vai matando ou ameaçando matar uma parte de mim? Até quando? Ou ainda não perceberam que qualquer morte ou ameaça de morte racista é uma morte da própria ideia dos valores de humanidade que tanto gostam de apregoar? Só a condescendência com a morte da própria ideia de humanidade pode levar uma comunidade política a não se sentir ela própria ameaçada com ameaças de morte por ódio racial. Portanto, a única decência que espero dos que insistem em negar ou relativizar o racismo é que tenham a inteligência e a coragem de matar o racismo antes que ele nos mate. Para mim como para a esmagadora maioria das pessoas racializadas, o ar está cada vez mais irrespirável e já nos é insuportável ver a sociedade e as suas instituições a assobiarem para o lado perante o nosso sofrimento e dor. Temos sobrevivido porque nunca nos faltou coragem para desapertar o sufoco do racismo que asfixia as nossas vidas. Assim continuaremos, custe o que custar. Falta saber até quando continuará a faltar coragem à sociedade e às suas instituições para enfrentar o monstro. Ou matamos o monstro ou ele matar-nos-á a todos.

Para tanto, se quisermos um futuro coletivo comum, a escolha é só uma: defender a democracia enquanto é tempo, enfrentando com determinação a barbárie da extrema-direita.

14-08-20
MB

(np) O taxista. Junho 24, 2020

Posted by paulo jorge vieira in Uncategorized.
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A ideia era simples. Uma viagem do Martim Moniz para uma rua nas Avenidas Novas. 

Como estava com pressa resolvi apanhar o táxi. Subir o alinhamento Rua da Palma/Avenida Almirante Reis até Alameda Afonso Henriques levou o taxista a reclamar e a exigir vários abaixo-assinados contra a  ciclovia recém criada nesta via. 

Mas lá se foi fazendo a viagem. A menos de 100 metros do destino olhei para o taxímetro.  6.35 euros. Saquei de 10 euros. 

Antes que conseguisse dizer “Pague-se de 7 euros”, o taxista tapa o mecanismo e diz-me: “São 7 euros e 5”. Claro que quando olhei o referido mecanismo já tinha sido apagado.

Lá passei os 10 euros e não é que… o taxista me dá como troco 3 moedas de 50 cêntimos, ou seja 1 euro e meio. 

Ou seja deveria me ter dado 2.95 euros do valor que me disse ser a viagem. Valor que já era uma falcatrua pois a viagem não chegou aos 6.5 euros. E teve a desfaçatez de me dar 1.5 euros. 

O taxista em questão é uma pessoa inqualificável e eu já lhe roguei todas as pragas possíveis. 

Mas a sério que ganhou ele? 2 euros. Que seja muito feliz com tal valor. 

Já agora como é que se instala mesmo o Uber?

Mãos Junho 17, 2020

Posted by paulo jorge vieira in Uncategorized.
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Mãos


Mãos que moldaram em terracota a beleza e a serenidade do Ifé.
Mãos que na cera polida encontram o orgulho perdido do Benin.
Mãos que do negro madeiro extraíram a chama das estatuetas olhos de vidro
e pintaram na porta das palhotas ritmos sinuosos de vida plena:
plena de sol incendiando em espasmos as estepes do sem-fim
e nas savanas acaricia e dá flores às gramíneas da fome.
Mãos cheias e dadas às labaredas da posse total da Terra,
mãos que a queimam e a rasgam na sede de chuva
para que dela nasça o inhame alargando os quadris das mulheres
adoçando os queixumes dos ventres dilatados das crianças
o inhame e a matabala, a matabala e o inhame.

Mãos negras e musicais (carinhos de mulher parida) tirando da pauta da Terra
o oiro da bananeira e o vermelho sensual do andim.
Mãos estrelas olhos nocturnos e caminhantes no quente deserto.
Mãos correndo com o harmatan nuvens de gafanhotos livres
criando nos rios da Guiné veredas verdes de ansiedades.
Mãos que à beira-do-mar-deserto abriram Kano à atracção dos camelos da aventura
e também Tombuctu e Sokoto, Sokoto e Zária
e outras cidades ainda pasmadas de solenes emires de mil e mais noites!

Mãos, mãos negras que em vós estou pensando.

Mãos Zimbabwe ao largo do Indico das pandas velas
Mãos Mali do sono dos historiadores da civilização
Mãos Songhai episódio bolorento dos Tombos
Mãos Ghana de escravos e oiro só agora falados
Mãos Congo tingindo de sangue as mãos limpas das virgens
Mãos Abissínias levantadas a Deus nos altos planaltos:
Mãos de África, minha bela adormecida, agora acordada pelo relógio das balas!

Mãos, mãos negras que em vós estou sentindo!

Mãos pretas e sábias que nem inventaram a escrita nem a rosa-dos-ventos
mas que da terra, da árvore, da água e da música das nuvens
beberam as palavras dos corás, dos quissanges e das timbilas que o mesmo é
dizer palavras telegrafadas e recebidas de coração em coração.
Mãos que da terra, da árvore, da água e do coração tantã
criastes religião e arte, religião e amor.

Mãos, mãos pretas que em vós estou chorando!

Francisco José Tenreiro

“John was looking for me from his window.” Junho 17, 2020

Posted by paulo jorge vieira in diário - citações.
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“June 17, 1940

John was looking for me from his window. He was tense, highly strung, overwhelmed. We talked a little, and then he came over and kissed me. He took all my clothes off. He was amazed by my body, the body of a girl, yet more than a girl…ageless. I felt his fear, but to tell the truth, I was afraid too, as if this were my first love affair. I was intimidated because I knew what his imagination had made of me—a mythical figure. I knew he was overwhelmed and that I could not live up to my reputation of an experienced European woman of the world. It felt unreal, and I told him so. I was quiet, timid, passive, feminine—my own humanness put him at ease. He became impulsive, dynamic, violent, and our caresses were entangled in strangeness.
He is truly Henry’s son, a young savage, with the same blue eyes, same white skin, a laughing face, but with great strength. He is only twenty-six. I pushed aside the literary aura, the past, so that we could breathe. I said this was something happening in space. I wanted life…and there is life in John, an abundance of it. At first I dreaded my age—thirty-seven—but when we talked I realized I have no age in his eyes. John said he could tell everybody’s age, but not mine. He knows, for instance, what his wife will look like ten, twenty years from now, but he cannot tell about me. He feels I will live forever and that I have had many lives, far into the past. He said many poetic things—he is full of faith and ardor. Henry and I have expanded the world for him. I know this is to be a creation, and for that I am sad. I wanted something else, but I am so grateful for John, for his worship and his youth—he is a young giant, a force to come, full of potentialities. He is explosive, alert, violent, active, a strong personality. I enjoy his electric youth. It is better than living in the past, clinging to Gonzalo’s heaviness and inertia, to the tragedy of France’s death. A few days ago I was dying with France, dying with Gonzalo. Today I went to John’s room and forgot all about death. I felt my own youth; there was music
again. At least my body is not dead. I told Eduardo I was going to pose for John, and Eduardo said: “It’s dangerous. He has his Moon over your Sun.” John says poetic things about my voice, is awake to my hair, my clothes, my skin. Is the current of life set in motion again, by John? He is tender, worshipful, too excited to sleep. Because he is romantic and idealistic, there is the danger of him mistaking this for love.”

Anaïs Nin, “Mirages: The Unexpurgated Diary of Anaïs Nin, 1939 – 1947”