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a folha branca Dezembro 14, 2017

Posted by paulo jorge vieira in diário.
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writing

o simples acto de olhar para a folha branca vazia e sentir a vontade de escrever provoca em mim um misto de ansiedade, insegurança e fulminante desejo. a folha vazia tem sido a minha pior inimiga e a mais fulgurante fonte de desejo da minha vida. essa folha vazia que ontem enfrentei sem medo. a folha vazia do desejo. a folha vazia do esforço e do empenho.

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“Mancebos de longas tranças enforcados em gravatas vão depauperando as danças com os pés aristocratas” Dezembro 7, 2017

Posted by paulo jorge vieira in literatura, poesia, Uncategorized.
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ary

Se o “poeta maldito” da Lisboa dos anos 60/70 fosse vivo completaria hoje 80 anos. Que enorme prazer é ler (e ouvir) Ary dos Santos. Hoje como sempre!

 

LISBON BY NIGHT

Sexofone——–saxofome
aqui jazz a humanidade
sepulcro de pedra-pomes
duma pseudo euro-cidade.

Antro de feras criadas
entre manteiga e obuses
cansadíssima corrida
de modernas avestruzes.

Na cave do cio soa
um rumor acutilante
faca—-pássaro—-que voa
em seu espaço percutante.

Sexofone——–saxofome
agulha de tédio e ritmo
ninguém ouve—-ninguém come
a noite não tem princípio.

Mancebos de longas tranças
enforcados em gravatas
vão depauperando as danças
com os pés aristocratas.

Megalómanos artistas
ademaneiam poemas
enquanto velhas coristas
coçam glórias e eczemas.

Um canceroso rebenta
seu tumor de nicotina.
Uma puta seca tenta
suicidar a vagina.

Sexofone——–saxofome
o banqueiro está de esperanças
foram-lhe ao rabo do nome
mais de um milhão de crianças.

Seus olhos de rã repleta
batraqueiam um efebo
sua pupila secreta
rumina bolas de sebo.

Entanto a noite esfaqueia
o ventre das virtuosas
senhoras com pé de meia
que bebem água de rosas.

Das tripas lhe faz um nó
dos ovários um apito.
Estou tão só que me faz dó
solfeja seu pito aflito.

Sexofone——–saxofome
um continente castrado
vai desesperando de um lume
nunca mais incendiado.

Fenícios celtas e godos
odeiam seus próprios corpos.
Agora vingam-se todos
do peso de estarem mortos.

Mortos da morte mais lenta
que é possível conceber-se
dilacerada placenta
de estando morto——nascer-se.

 

“uma sombra negra cai, em redor do homem no cais” Dezembro 5, 2017

Posted by paulo jorge vieira in musica, Uncategorized.
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variações

 

Lembrar sempre Variações, António Variações. Hoje, porque não, com uma música que não sua. A minha escolha pessoal, entre muitas outras homenagens, fica para “A Sombra” dos Madredeus. Este tema, surgido em memória de António Variações, tem letra e música de Pedro Ayres Magalhães.

Anda pela noite só
um capote errante, ai ai
e uma sombra negra cai, em redor
do homem no cais
das ruas antigas vem
um cantar distante ai’ai
e ninguém das casas sai, por temor
de uns passos no cais
Se eu cair ao mar, quem me salvará
lalalala…
que eu não tenho amigos, quem é que será,
lalalala…
ai a solidão, que não andas só,
lalalala…
anda lá à vontade, mas de mim tem dó…
cantar, sempre cantou
jamais esteve ausente, ai ai
e uma vela branca vai, por amor
largar pela noite

 

 

Seminário Internacional “Trabalho Sexual, Políticas e Direitos Humanos” Novembro 29, 2017

Posted by paulo jorge vieira in academia, geografias das sexualidades, sexualidades e géneros, Uncategorized.
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trabalhosexual

 

Seminário Internacional “Trabalho Sexual, Políticas e Direitos Humanos”

13 de dezembro | 14h30 | Auditório 1

A FPCEUP – Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto acolhe o Seminário Internacional “Trabalho Sexual, Políticas e Direitos Humanos”, em antecipação do Dia Internacional contra a Violência sobre Trabalhadorxs do Sexo.
O seminário acontece no dia 13 de dezembro de 2017, entre as 14h30 e as 18h30, no Auditório 1.

Inscrição

A entrada é gratuita, mas exige inscrição aqui.
Será atribuído um certificado de presença aos participantes inscritos.

Programa

14h30    Abertura
15h00    Conferência com Pye Jakobsson (Rose Alliance, Estocolmo)
16h00    Intervalo
16h15    Exibição do filme “Normal: Real stories from the sex industry” de Nicola Mai (2012)
Apresentação e comentário por Mara Clemente (ISCTE/IUL)
17h25    Pausa
17h30    Apresentação do GIITS – Grupo Interdisciplinar de Investigadores sobre o Trabalho Sexual
18h00    Encerramento

 


<p><a href=”https://vimeo.com/50289487″>Normal – Real Stories from the Sex Industry – Trailer</a> from <a href=”https://vimeo.com/user3467382″>Nicola Mai</a> on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

(cfp) Close Relations: a multi- and interdisciplinary conference on critical family and kinship studies Novembro 22, 2017

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Close Relations: a multi- and interdisciplinary conference on critical family and kinship studies (call for papers)
Uppsala University 24-26 October 2018

Few questions raise more heated debate than those of family and kinship, and few areas demonstrate more clearly the interconnectedness of the private and the public. Recent years have witnessed a growing emphasis on “family values” in the EU, with ongoing debates about marriage, migration, procreative practices, parental leave, meanings of childhood, and gendered divisions of (care) labour. In a time marked by globalization and migration, as well as neoliberalism and the rise of nationalism, an increasing recognition of non-conventional families and kin constellations has run parallel with re-affirmations of the nuclear family form. Growing anxieties around the (welfare) state’s (future) ability to care for its citizens also refocuses the family’s caretaking and wealth extending function. The conference Close Relations offers a platform for exploring urgent issues for critical family and kinship studies, across disciplines and areas. We wish to explore how changes in family and kin formation materialize in everyday lives, in stories, in fiction and art; how they are facilitated, contested, or hindered in cultural, political, legal, and medical contexts; how close relations play out, become closer or closed off, in specific contexts and situations.

The conference opens with a plenary lecture at 4 pm Wednesday October 24, and closes at 4 pm Friday October 26; the program comprises plenary lectures and a panel discussion, as well as parallel sessions with paper presentations.

Confirmed plenary speakers are:

David Eng, Professor of English, University of Pennsylvania, US

Susan White, Professor of Social Work, University of Sheffield UK

Rikke Andreassen, Professor of media and communication, Roskilde University DK

For the parallel sessions, we now seek abstracts for 15-minute presentations.

Contributions may address areas including, but not limited to, the following:

Assisted reproductive technologies

The child, the parent, the state – negotiating the child perspective with a focus on migration

Conceptualizing family and kinship

Family/Kinship and sex/intimacy

Migration/Transnational family and kinship

Motherhood, fatherhood, parenthood

Kin/NonKin, care, and responsibility

Kinship beyond the human

Solo by choice or single by chance? – (L)one-parent families

Orphanhood

Queer kinship

Researching family and kinship: critical methodologies

Time and place – the wheres and whens of families and kin

Trans* kinship

Submit abstract (max 300 words) and a brief bio (max 50 words) to helena.henriksson@gender.uu.se no later than January 31, 2018. Please write “abstract famkin” in the subject line. Acceptance will be communicated by the end of February. The conference registration will open no later than May and the registration fee will not exceed 3000 SEK (300 EURO; reduced fee for students).

The Swedish Network for Family and Kinship Studies is a multi-disciplinary network for scholars with an interest in exploring the meanings, boundaries, shifts and continuities in family and kinship, their links to power relations, and how they are maintained or disrupted by cultural values, social practices, or symbolic representations. We explore and develop critical perspectives on family and kinship historically as well as in the present. The Network is funded by FORTE 2016-2018 and based at Uppsala University.

 

at last Novembro 14, 2017

Posted by paulo jorge vieira in musica, Uncategorized.
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At last my love has come along
My lonely days are over and life is like a song, oh yeah
At last the skies above are blue
My heart was wrapped up clover the night I looked at you
I found a dream that I could speak to
A dream that I can call my own
I found a thrill to press my cheek to
A thrill I’ve never known, oh yeah
You smiled, you smiled oh and then the spell was cast
And here we are in Heaven
For you are mine at last
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Sophia Novembro 6, 2017

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sophia

(Sophia de Mello Breyner Andresen completaria hoje 98 anos de idade.)

Iremos juntos sozinhos pela areia
Embalados no dia
Colhendo as algas roxas e os corais
Que na praia deixou a maré cheia.

As palavras que disseres e que eu disser
Serão somente as palavras que há nas coisas
Virás comigo desumanamente
Como vêm as ondas com o vento.

O belo dia liso como um linho
Interminável será sem um defeito
Cheio de imagens e conhecimento.

in No Tempo Dividido, 1954

***

Assim o amor
Espantando meu olhar com teus cabelos
Espantando meu olhar com teus cavalos
E grandes praias fluidas avenidas
Tardes que oscilavam demoradas
E um confuso rumor de obscuras vidas
E o tempo sentado no limiar dos campos
Com seu fuso sua faca e seus novelos

Em vão busquei eterna luz precisa

in Geografia, 1967

uma cidade partilhada para tod*s Setembro 29, 2017

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No próximo dia 1 de Outubro teremos eleições para as autarquias locais. Em Lisboa apoio e participo nas listas do Bloco de Esquerda, integrando a lista para a Assembleia Municipal de Lisboa.

As listas do Bloco de Esquerda, no município de Lisboa, encabeçadas pelo Ricardo Robles (CML) e pela Isabel Pires (AML) são constituídas por um conjunto alargado de activistas e de intervenientes na política da cidade que nos transmitem a certeza, e a esperança, de que nos próximos anos estaremos empenhados em construir esse cidade partilhada que almejamos.

Aqui ficam dois pedaços do programa com que concorremos a estas eleições:

Lisboa é a cidade de que gostamos e onde queremos viver. A cidade que queremos partilhar com quem nos visita. Lisboa mudou muito nos últimos anos. Certamente muita coisa mudou para melhor. Mas aumentaram também as dificuldades de quem cá vive – pelo efeito das políticas de austeridade e desemprego. Queremos Lisboa para todos e para todas. Cidade para viver com dignidade, trabalhar com direitos e receber bem quem nos procura em visita ou como refúgio. A cidade que respeita a diferença e sabe ouvir. A cidade da vida inteira, e para isso o que conta é o essencial, é a cidade partilhada.

***

xeca_tratada

Lisboa tem de ser um espaço de abertura, respeito e combate a todas as formas de discriminação. A cidade tem ser o local onde os direitos são iguais.

Lisboa deve ser declarada área de tolerância zero à violência de género. Para além de melhorar os mecanismos de apoio, a Câmara Municipal de Lisboa deve reforçar o número de casas abrigo para vítimas de violência de género. O planeamento da cidade deve privilegiar o urbanismo feminista que contraria a discriminação e as desigualdades.

O município deve valorizar a Marcha do Orgulho LGBT, o Arraial Pride, o Queer Lisboa Festival Internacional de Cinema Queer e outras iniciativas promovidas pela comunidade LGBT+.

Mas, também deve ajudar ativamente quem é vítima de discriminação. O Bloco de Esquerda defende a abertura de um Centro Municipal de Acolhimento e Cidadania LGBT+. Um espaço que defenda e promova os direitos humanos e que ajude e albergue vítimas de discriminação e violência, preste apoio social e psicológico e disponibilize aconselhamento jurídico.”

(pmr32) eu escrevi um poema triste  Setembro 10, 2017

Posted by paulo jorge vieira in poemas, poesia, Uncategorized.
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Tristeza

Eu escrevi um poema triste 
E belo, apenas da sua tristeza. 
Não vem de ti essa tristeza 
Mas das mudanças do Tempo, 
Que ora nos traz esperanças 
Ora nos dá incerteza… 
Nem importa, ao velho Tempo, 
Que sejas fiel ou infiel… 
Eu fico, junto à correnteza, 
Olhando as horas tão breves… 
E das cartas que me escreves 
Faço barcos de papel! 

Mário Quintana, in ‘A Cor do Invisível’

(pmr31) o corpo não espera Setembro 9, 2017

Posted by paulo jorge vieira in poemas, Uncategorized.
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the_masculine_mystique

 

O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo…

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.

“O corpo não espera” de Jorge de Sena