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(np) O taxista. Junho 24, 2020

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A ideia era simples. Uma viagem do Martim Moniz para uma rua nas Avenidas Novas. 

Como estava com pressa resolvi apanhar o táxi. Subir o alinhamento Rua da Palma/Avenida Almirante Reis até Alameda Afonso Henriques levou o taxista a reclamar e a exigir vários abaixo-assinados contra a  ciclovia recém criada nesta via. 

Mas lá se foi fazendo a viagem. A menos de 100 metros do destino olhei para o taxímetro.  6.35 euros. Saquei de 10 euros. 

Antes que conseguisse dizer “Pague-se de 7 euros”, o taxista tapa o mecanismo e diz-me: “São 7 euros e 5”. Claro que quando olhei o referido mecanismo já tinha sido apagado.

Lá passei os 10 euros e não é que… o taxista me dá como troco 3 moedas de 50 cêntimos, ou seja 1 euro e meio. 

Ou seja deveria me ter dado 2.95 euros do valor que me disse ser a viagem. Valor que já era uma falcatrua pois a viagem não chegou aos 6.5 euros. E teve a desfaçatez de me dar 1.5 euros. 

O taxista em questão é uma pessoa inqualificável e eu já lhe roguei todas as pragas possíveis. 

Mas a sério que ganhou ele? 2 euros. Que seja muito feliz com tal valor. 

Já agora como é que se instala mesmo o Uber?

Mãos Junho 17, 2020

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Mãos


Mãos que moldaram em terracota a beleza e a serenidade do Ifé.
Mãos que na cera polida encontram o orgulho perdido do Benin.
Mãos que do negro madeiro extraíram a chama das estatuetas olhos de vidro
e pintaram na porta das palhotas ritmos sinuosos de vida plena:
plena de sol incendiando em espasmos as estepes do sem-fim
e nas savanas acaricia e dá flores às gramíneas da fome.
Mãos cheias e dadas às labaredas da posse total da Terra,
mãos que a queimam e a rasgam na sede de chuva
para que dela nasça o inhame alargando os quadris das mulheres
adoçando os queixumes dos ventres dilatados das crianças
o inhame e a matabala, a matabala e o inhame.

Mãos negras e musicais (carinhos de mulher parida) tirando da pauta da Terra
o oiro da bananeira e o vermelho sensual do andim.
Mãos estrelas olhos nocturnos e caminhantes no quente deserto.
Mãos correndo com o harmatan nuvens de gafanhotos livres
criando nos rios da Guiné veredas verdes de ansiedades.
Mãos que à beira-do-mar-deserto abriram Kano à atracção dos camelos da aventura
e também Tombuctu e Sokoto, Sokoto e Zária
e outras cidades ainda pasmadas de solenes emires de mil e mais noites!

Mãos, mãos negras que em vós estou pensando.

Mãos Zimbabwe ao largo do Indico das pandas velas
Mãos Mali do sono dos historiadores da civilização
Mãos Songhai episódio bolorento dos Tombos
Mãos Ghana de escravos e oiro só agora falados
Mãos Congo tingindo de sangue as mãos limpas das virgens
Mãos Abissínias levantadas a Deus nos altos planaltos:
Mãos de África, minha bela adormecida, agora acordada pelo relógio das balas!

Mãos, mãos negras que em vós estou sentindo!

Mãos pretas e sábias que nem inventaram a escrita nem a rosa-dos-ventos
mas que da terra, da árvore, da água e da música das nuvens
beberam as palavras dos corás, dos quissanges e das timbilas que o mesmo é
dizer palavras telegrafadas e recebidas de coração em coração.
Mãos que da terra, da árvore, da água e do coração tantã
criastes religião e arte, religião e amor.

Mãos, mãos pretas que em vós estou chorando!

Francisco José Tenreiro

“John was looking for me from his window.” Junho 17, 2020

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“June 17, 1940

John was looking for me from his window. He was tense, highly strung, overwhelmed. We talked a little, and then he came over and kissed me. He took all my clothes off. He was amazed by my body, the body of a girl, yet more than a girl…ageless. I felt his fear, but to tell the truth, I was afraid too, as if this were my first love affair. I was intimidated because I knew what his imagination had made of me—a mythical figure. I knew he was overwhelmed and that I could not live up to my reputation of an experienced European woman of the world. It felt unreal, and I told him so. I was quiet, timid, passive, feminine—my own humanness put him at ease. He became impulsive, dynamic, violent, and our caresses were entangled in strangeness.
He is truly Henry’s son, a young savage, with the same blue eyes, same white skin, a laughing face, but with great strength. He is only twenty-six. I pushed aside the literary aura, the past, so that we could breathe. I said this was something happening in space. I wanted life…and there is life in John, an abundance of it. At first I dreaded my age—thirty-seven—but when we talked I realized I have no age in his eyes. John said he could tell everybody’s age, but not mine. He knows, for instance, what his wife will look like ten, twenty years from now, but he cannot tell about me. He feels I will live forever and that I have had many lives, far into the past. He said many poetic things—he is full of faith and ardor. Henry and I have expanded the world for him. I know this is to be a creation, and for that I am sad. I wanted something else, but I am so grateful for John, for his worship and his youth—he is a young giant, a force to come, full of potentialities. He is explosive, alert, violent, active, a strong personality. I enjoy his electric youth. It is better than living in the past, clinging to Gonzalo’s heaviness and inertia, to the tragedy of France’s death. A few days ago I was dying with France, dying with Gonzalo. Today I went to John’s room and forgot all about death. I felt my own youth; there was music
again. At least my body is not dead. I told Eduardo I was going to pose for John, and Eduardo said: “It’s dangerous. He has his Moon over your Sun.” John says poetic things about my voice, is awake to my hair, my clothes, my skin. Is the current of life set in motion again, by John? He is tender, worshipful, too excited to sleep. Because he is romantic and idealistic, there is the danger of him mistaking this for love.”

Anaïs Nin, “Mirages: The Unexpurgated Diary of Anaïs Nin, 1939 – 1947”

(RIP) Maria Velho da Costa Maio 24, 2020

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Como memória e homenagem a Maria Velho da Costa, falecida ontem, publico um seu afamado texto “Mulheres e a Revolução”, um texto em prosa frequentemente dito em voz alta como o fez brilhantemente Mário Viegas.

1. Reconstituição da força de trabalho

Elas são quatro milhões, o dia nasce, elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café. Elas picam cebolas e descascam batatas. Elas migam sêmeas e restos de comida azeda. Elas chamam ainda escuro os homens e os animais e as crianças. Elas enchem lancheiras e tarros e pastas de escola com latas e buchas e fruta embrulhada num pano limpo. Elas lavam os lençóis e as camisas que hão-de suar-se outra vez. Elas esfregam o chão de joelhos com escova de piaçaba e sabão amarelo e correm com os insectos a que não venham adoecer os seus enquanto dormem. Elas brigam nos mercados e praças por mais barato. Elas contam centavos. Elas costuram e enfiam malhas em agulhas de pau com as lãs que hão-de manter no corpo o calor da comida que elas fazem. Elas vêm com um cântaro de água à cinta e um molho de gravetos na cabeça. Elas limpam as pias e as tinas e as coelheiras e os currais. Elas acendem o lume. Elas migam hortaliça. Elas desencardem o fundo dos tachos. Elas passajam meias e calças e camisas e outra vez, meias. Elas areiam o fogão com palha de aço. Elas calcorreiam a cidade a pé e à chuva porque naquele bairro os fatos-macacos são caros. Elas correm esbaforidas para não perder o comboio, o barco. Elas pousam o cesto e abrem a porta com a mão vermelha. Elas põem a tranca no palheiro. Elas enterram o dedo mínimo na galinha a ver se tem ovo. Elas acendem o lume. Elas mexem o arroz com um garfo de zinco. Elas lambem a ponta do fio de linha para virar a camisa. Elas enchem os pratos. Elas pousam o alguidar na borda da pia para aguentar. Elas arredam a coberta da cama. Elas abrem-se para um homem cansado. Elas também dormem.


2. Reprodução da força de trabalho


Elas vão à parteira que lhes diz que já vai adiantado. Elas alargam o cós das saias. Elas choram a vomitar na pia. Elas limpam a pia. Elas talham cueiros. Elas passam fitilhos de seda no melhor babeiro. Elas andam descalças que os pés já não cabem no calçado. Elas urram. Elas untam o mamilo gretado com um dedal de manteiga. Elas cantam baixinho a meio da noite a niná-los para que o homem não acorde. Elas raspam as fezes das fraldas com uma colher romba. Elas lavam. Elas carregam ao colo. Elas tiram o peito para fora debaixo de um sobreiro. Elas apuram o ouvido no escuro para ver se a gaiata na cama ao lado com os irmãos não dá por aquilo. Elas assoam. Elas lavam joelhos com água morna. Elas cortam calções e bibes de riscado. Elas mordem os beiços e torcem as mãos, a jorna perdida se o febrão não desce. Elas lavam os lençóis com urina. Elas abrem a risca do cabelo, elas entrançam. Elas compram a lousa e o lápis e a pasta de cartão. Elas limpam rabos. Elas guardam uma madeixita entre dois trapos de gaze. Elas talham um vestido de fioco para uma boneca de papelão escondida debaixo da cama. Elas lavam as cuecas borradas do primeiro sémen, do primeiro salário, da recruta. Elas pedem fiado popeline da melhor para a camisa que hão-de levar para a França, para Lisboa. Elas vão à estação chorosas. Elas vêm trazer um borrego à primeira barraca e ao primeiro neto. Elas poupam no eléctrico para um carrinho de corda.


3. Produção

Elas sobem para cima de um caixote, que ainda são pequenas para chegar à bancada de descamar o peixe. Elas mondam, os dedos tolhidos de frieira e urtiga. Elas fazem descer a lâmina de cortar o coiro. Elas sopram nos dedos a aquecê-los, esfregam os olhos, voltam a pôr as mãos por detrás da lente a acertar os fios da matriz do transistor. Elas espremem as tetas da vaca para o balde apertado entre as pernas. Elas fecham num dia as pregas de papel de mil pacotes de bolacha. Elas acertam em duzentos casacos a postura da manga onde cravar o botão. Elas limpam o suor da testa com a manga e a foice rebrilha ao sol por cima da cabeça e da seara. Elas ouvem a matraca de dez teares enquanto a peça cresce diante, o fio amandado de braço a braço aberto. Elas cortam os dedos nas primeiras vinte cinco latas até calejar bem. Elas fazem a agulha passar para cá e lá em cruz na tela do tapete. Elas vigiam a última fieira de garrafas, caladas, à espera da sirene. Elas carregam o cesto de azeitona à cabeça já sem cantar, até que o sol se ponha.


4. Serviços

Elas carregam no botão da caixa e fazem quinhentos trocos miúdos. Elas metem a cavilha, dizem outro número e passam a vigésima chamada. Elas mexem panelões que lhes chegam à cinta. Elas descem doze caixotes de lixo já noite fechada. Elas fazem todas as camas e despejos de uma família alheia. Elas picam bilhetes metidas numa caixa de vidro. Elas batem à máquina palavras que não entendem. Elas arquivam por ordem alfabética duas mil.

Maria Velho da Costa, Cravo, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1994.

(np) um tempo rápido cheio de nada Maio 6, 2020

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Solidão. Solidão dos tempos e dos desejos que queremos algo mais. Um tempo que passa rápido, mas que ao mesmo tempo parece que não muda. No vazio do nada. No tempo rápido cheio de nada. 

Hoje é apenas mais um dia que salta e corre devagar. E eu sinto-me bem triste e incapaz… Por isto mesmo sinto a necessidade de mudar as minhas práticas pessoais potenciando uma produtividade que tenho desvalorizado. E isso será a mudança desejada, a mudança que as palavras e a solidão sem fim provocaram. 

“Two gentlemen sharing”: Rental discrimination of same-sex couples in Portugal Fevereiro 24, 2020

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“Two gentlemen sharing”: Rental discrimination of same-sex couples in Portugal

(texto aqui)

Filipe Rodrigues Gouveia a,

Therese Nilsson a,b,

Niclas Berggren b,c

ABSTRACT: We measure and analyze discriminatory behavior against same-sex couples trying to rent an apartment in Portugal. This is the first correspondence field experiment investigating discrimination against this minority group in Portugal, adding to a literature using this method to as certain discriminatory behavior in the housing market. In our experiment, four type of applicants varying in gender (male and female) and modality (same and opposite sex) reply to Internet ads to express interest in renting an apartment in the metropolitan areas of Porto and Lisbon. All applicant couples are presented as married, stable and professional. The main finding is that male same-sex couples face significant discrimination: The probability of getting a positive reply is 7–8 percentage points, or 26 percent, lower for them compared to opposite-sex couples. The effect is even more negative in parishes where the population is older, and discrimination increases in magnitude over the rental value and the square meter price of apartments. However, and perhaps surprisingly, the risk of discrimination decreases with religiosity (up to a point) and the distance to the metropolitan center (up to a point). The results for female same-sex couples also show a sizeable negative effect, with a 3 percentage-point, or 10 percent, lower probability of a positive response compared to opposite-sex couples, even though this difference is less precisely estimated. The present study extends the literature to a southern European setting and validates previous research documenting worse treatment of same-sex couplesin the housing market. Interestingly, in spite of less positive attitudes to same-sex couples among the Portuguese public, the level of discrimination is comparable to that found in Sweden and lower than on the Irish short-term rental market. This arguably illustrates that attitudes and discriminatory behavior need not be closely aligned.

Keywords:Same-sex couples,Discrimination, Portugal, Field experiment, LGBT, Housing

a Department of Economics, Lund University, P.O. Box 7082, 220 07 Lund, Sweden

b Research Institute of Industrial Economics (IFN), Box 55665, 102 15 Stockholm, Sweden

c Department of Economics (KEKE NF), University of Economics in Prague, Winston Churchill Square 4, 130 67 Prague 3, Czech Republic

Men in Place: Trans Masculinity, Race, and Sexuality in America Fevereiro 14, 2020

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Men in Place: Trans Masculinity, Race, and Sexuality in America

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Author(s): Miriam J. Abelson

Publisher: University of Minnesota Press, Year: 2019


Daring new theories of masculinity, built from a large and geographically diverse interview study of transgender men

American masculinity is being critiqued, questioned, and reinterpreted for a new era. In Men in Place Miriam J. Abelson makes an original contribution to this conversation through in-depth interviews with trans men in the U.S. West, Southeast, and Midwest, showing how the places and spaces men inhabit are fundamental to their experiences of race, sexuality, and gender.

Men in Place explores the shifting meanings of being a man across cities and in rural areas. Here Abelson develops the insight that individual men do not have one way to be masculine—rather, their ways of being men shift between different spaces and places. She reveals a widespread version of masculinity that might be summed up as “strong when I need to be, soft when I need to be,” using the experiences of trans men to highlight the fundamental construction of manhood for all men.

With an eye to how societal institutions promote homophobia, transphobia, and racism, Men in Place argues that race and sexuality fundamentally shape safety for men, particularly in rural spaces, and helps us to better understand the ways that gender is created and enforced.

Introduction
“I DON’T HAVE ONE WAY TO BE”


What does it mean to be a man in America? Leo pondered this ques-
tion as he sat at the kitchen table, recently cleared of dinner dishes,
in his San Francisco apartment. The evening summer fog had crept
in over the hills and settled above the streets, putting a chill in the
air. At the start of the second decade of the twenty-­first century, Leo’s
thoughts turned first to fear, even in the supposed progressive strong-
hold of the Bay Area. The recent killing of Oscar Grant, a young black
man living in the Bay Area, by a transit police officer in the early hours
of New Year’s Day 2009 weighed heavily on Leo’s mind:
The consequences of being a black man was made even more
relevant in my life when a young man named Oscar Grant was
pulled off a train and shot in the back, and you know, I just
easily see myself in that position being on a train coming from
a party. . . . There was just this feeling of being on this crowded
train and being pulled off because there was some kind of chaos
and just resembling someone and to have that happen. It’s just
so tragic.
As a black man in his midthirties living in the same area, Leo could
easily see Grant’s fate as his own—­pulled off a crowded train by po-
lice for fitting the description of a suspect and losing his life amid the
chaos of New Year’s revelry. The fear of being perceived by others as
dangerous when in public spaces, by virtue of being a black man, was
at the forefront of his mind. A big part of being a man meant watch-
ing himself when out in the world, never sure when he might become
a target.

(cfp) LGBTQ Liveability in Rural Spaces Janeiro 7, 2020

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LGBTQ Liveability in Rural Spaces

Call for Papers for a  session at the Royal Geographical Society with Institute of British Geographers (RGS-IBG) Conference, London 1-4 September 2020

Stefanie C. Boulila (Lucerne University of Applied Sciences and Arts)

Sponsorship: Applying for Space, Sexualities and Queer Research Group and Rural Geography Working Group

In popular discourse, sexual freedom is associated with the city (Hubbard 2012, Bilić and Stubbs 2015). Rural spaces are imagined as inherently heteronormative and hostile towards queer subjects (Butterfield 2018). Geographies of sexualities and queer geographies have been at the forefront of deconstructing rural spaces as sexually monolithic (Bell and Valentine 1997, Bell 2003, Gorman-Murray et al. 2012, McGlynn 2017). This body of work has complicated assumptions about queer migration patterns from rural to urban (Gorman-Murray 2007, 2009), explored anti-urban or lesbian feminist countercultures (Herring 2010, Valentine 1997) as well as the meanings of homonormativity in rural spaces (Brown 2015). These interventions have demonstrated that the sole understanding of the rural/urban axis through the progressive/conservative dichotomy has only provided a limited and arguably normative understanding of rural queer lives.

Recent policy research on queer lives in EU member states indicates that the marginalisation of LGBTQ people in rural societies and regions has to be understood through situated and geographically nuanced factors and analyses (Bilić and Stubbs 2015, Monro, Christmann et al. 2016, Butterfield 2018). Adding to the previous advances made by the queer geographical canon, this session queries how liveability can help us conceptualise rural queer lives. Judith Butler’s (2004) notion of liveability has lately been developed as an analytical tool for the queer social sciences to move beyond the common juridico-political understandings of equality and rights to one of lived experiences (Browne et al. 2019). With that, liveability disrupts place-based imaginaries about progress or its lack (Browne et al. 2015).

The session seeks to explore the diverse aspects of rural queer lives beyond the rural-urban dichotomy. Topics might include, but are not limited to:

  • Queer networks
  • Conviviality
  • Social and political participation and political activism
  • (In)visbility
  • Gentrification and urban-rural migration
  • Space and place-making
  • Intersectional queer rural lives
  • Queer economies and counter-cultures

If you are interested in submitting a paper, please send abstract of up to 250 words, and your name and institutional affiliation to stefanie.boulila@posteo.de by 31st January 2020.

Postgraduate Students, early-career researchers and activists are particularly encouraged to submit a paper. It is possible to give a remote presentation.

(np) contra o ódio Outubro 11, 2019

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Existe um método: ser verdadeiro e simples e pedir verdade e simplicidade. Seguindo esse método clarificas a esfera pública. Simples.

Nas redes, a desinformação cresce desmesurada tantas vezes disfarçada de douta opinião que não resiste ao simples questionar dos factos, ou das fontes usadas.

***

Cansado de tanto ódio. Estranho a sociedade onde vivo. Que tal deixarmos de fazer política… de ódio. Que tal fazermos a política da empatia e do salutar debate entre ideias?

***

Um simples e premente conjunto de regras que nos ajudam a enfrentar a desinformação e a extrema-direita.

“Pequeno manual para lidar com a extrema-direita nas redes sociais:

1 – NÃO partilhar publicações reacionárias para as criticar.

2- NÃO discutir o caráter psicológico das figuras da extrema-direita. A discussão é política e de escolhas coletivas.

3- Ser solidário com quem é alvo concreto de ataques de ódio e intransigente na defesa dos direitos individuais. Verificar e comprovar os factos antes de reagir.

4. Não cair nas provocações diárias (vão ser muitas) e fazer disso o centro do debate político.

5 – Partilhar informações rigorosas e comprovadas sobre dados históricos (não queremos voltar à meia-noite do século XX) e indicadores sociais (defesa republicana do Estado Social).

6 – Na nossa rede de amigos e conhecidos, desmistificar o senso comum e o preconceito. Não deixar nenhuma conversa por fazer.

7- Denunciar o ataque à democracia e aos direitos fundamentais em outras partes do mundo, exigindo essa posição de todas as forças políticas.

8 – Estar um pouco menos nas redes sociais, tomar partido e assumir uma militância coletiva pelos direitos laborais, sociais e fundamentais.” (Roubado no facebook ao Adriano Campos )

Agustina por Agustina. Junho 3, 2019

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Agustina por Agustina.

Eu não dou sossego a quem me ouve, não deixo que parem no dia santo, porque ponho pedra firme até na água e projecto na criança de mama, e pingo de azeite na porta perra, e juízo no louco que se faz desentendido e diz: «Isto não é comigo.»

*

Não sou vaidosa. Sou contente, sou feliz e agradecida dos meus dotes de coração, dos meus talentos, da luz dos meus olhos, da saúde física, do vigor moral. Bens momentâneos – bem o sei. Valores falíveis e facilmente dispersos no tempo. Mas é nesta alegria, nesta exaltação vital, que está o meu cântico à vida – humano e, contudo, esplêndido, divino e, contudo, humilde.

*

Eu não sou justa, ajuízo as coisas. Eu e a justiça somos pura coincidência; o facto de isto se repetir faz talvez o prodígio, mas não a certeza.

*

Nunca me senti cansada a descrever o humano, precisamente porque participo de tudo o que é humano. Nunca me senti marcada, em misteriosa contradição com o comum dos outros, nunca experimentei o sentimento de estar à parte, de estar isolada. Eu consigo participar da despreocupação dos momentos vividos, e posso revelá-los pela palavra, sem que eles se alterem e se intensifiquem pela observação.

*

A minha obra é portuguesa, constituída por sentimento e gente portugueses até à medula.

*

Tudo o que eu escrevo se destina a interessar as pessoas na sua própria entidade. Daí, muitas vezes, ela ter um efeito devastador, a obra e a pessoa que a produz. Sobretudo a pessoa, devo dizer. Eu desmarco os outros da rotina, espanto a manada. Depois os efeitos são maravilhosos, combinam com a imortalidade.

*

Se eu não sou poética, apesar de dizerem que sou, cada vez com mais veemência e singular teimosia sei descobrir nas coisas comuns uma directa via que as leva ao coração, que as torna capazes de serem mais doces do que a lírica mais melodiosa.

*

Não quero como assunto nada de extravagante, mesmo com timbre de lírico. Não quero brilhar, nem convencer, coisa que os poetas querem muitas vezes. Quero ser sóbria de palavras, constante de gratidão, verídica de fidelidade para quem confia em mim.

*

Para mim é fácil ser verdadeira quanto à minha insinceridade.

“Dicionário Imperfeito”, Selecção e Organização de Manuel Vieira da Cruz e Luís Abel Ferreira, Guimarães Editores