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(pmr32) eu escrevi um poema triste  Setembro 10, 2017

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Tristeza

Eu escrevi um poema triste 
E belo, apenas da sua tristeza. 
Não vem de ti essa tristeza 
Mas das mudanças do Tempo, 
Que ora nos traz esperanças 
Ora nos dá incerteza… 
Nem importa, ao velho Tempo, 
Que sejas fiel ou infiel… 
Eu fico, junto à correnteza, 
Olhando as horas tão breves… 
E das cartas que me escreves 
Faço barcos de papel! 

Mário Quintana, in ‘A Cor do Invisível’

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(pmr31) o corpo não espera Setembro 9, 2017

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O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo…

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.

“O corpo não espera” de Jorge de Sena

um dia explodo em verbo Maio 15, 2017

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Aquele poema que quis escrever não sai da minha cabeça.

Ficou preso. Incapaz de se tornar verbo. Preso na minha incapacidade de perder o medo. E de ter a coragem de vomitar a alma.

Mas… esse medo é demasiado presente. Demasiado aqui. Demasiado paralisante. Demasiado…

Um dia, quem sabe! Um dia, a voz grita. Um dia explodo em verbo. E assim me faço algo melhor.

Um dia…

regressarei com o lume do rio a guiar-me Maio 15, 2017

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prometo-te que uma noite voltarei, sem bússola, regressarei com o lume do rio a guiar-me, e que os olhos pousarão nos teus olhos este frémito de água. acredito nas ruas que existem por detrás dos óculos dos marinheiros, onde descansa um barco e tu foges, não acredito em ti. um fio de água enforca-nos. foi então que resolveste prosseguir viagem sozinho, com a tua adolescência um pouco ferida. eu acreditei no fogo e no silêncio que, de manhã lavam os corpos, tornando-os de novo navegáveis. esperei, ainda te espero. ando por aí a mariscar com os nativos, escondendo do mundo a tristeza que me devora o corpo.

Al Berto, Excerto de «Roulottes da Noite de Lisboa»

 

(pmr30) “Escrevo” Janeiro 2, 2017

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Escrevo já com a noite
em casa. Escrevo
sobre a manhã em que escutava
o rumor da cal ou do lume,
e eras tu somente
a dizer o meu nome.
Escrevo para levar à boca
o sabor da primeira
boca que beijei a tremer.
Escrevo para subir
às fontes.
E voltar a nascer.
Eugénio de Andrade in “Os Sulcos da Sede”

(pmr29) o circuito inevitável das coisas ociosas Março 21, 2016

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Fazemos o circuito

inevitável das coisas ociosas

sem sentido.

 

Corpos a ranger

transparentes e leves

sem memória

e sem apelo.

 

Suburbanos e ausentes

continuam na tarde quente

tão inúteis

como agora.

 

Incompletos mesmo

partituras negras

monótonos, betonizados

e sem perdão possível.

 

(pmr28) estou escondido na cor amarga do fim da tarde Março 21, 2016

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estou escondido na cor amarga do
fim da tarde. sou castanho e verde no
campo onde um pássaro
caiu. sinto a terra e orgulho
por ter enlouquecido. produzo o corpo
por dentro e sou igual ao que
vejo. suspiro e levanto vento nas
folhas e frio e eco. peço às nuvens
para crescer. passe o sol por cima
dos meus olhos no momento em que o
outono segue à roda do meu tronco e, assim
que me sinta queimado, leve-me o
sol as cores e reste apenas o odor
intenso e o suave jeito dos ninhos ao
relento



valter hugo mãe
estou escondido na cor amarga do fim da tarde

(pmr24) aos poucos foram sendo conhecidos juntamente Outubro 3, 2015

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Aos poucos foram sendo conhecidos juntamente

Nos ríspidos círculos da classe a que pertenciam

Aos poucos também, a troco da paga decorativa

De vários livros de verso e alguns de ensaio,

Atenuaram-lhes as consabidas ironias e acusações.

Com o tempo vieram as fotografias nos circuitos

De massificação, chegou a haver semanas em que padeciam

Escritos elogios que davam notoriedade sem suspeita.

Nas pistas múltiplas das artes e das noites,

Até antigos desconhecidos, até estáveis malquerentes

Diziam: “os dois poetas”. Antes queriam

Ser tratados pelo nome ou pelo só indicativo

Da profissão que padeciam por a reconhecer

O melhor lenitivo para a obsessiva

E neurotizante dedicação em exclusivo

À chamada profissionalização dos escritores:

«os dois poetas», contudo, semi-servia

para neutralizar outras sevícias.

Mas quando os carros exigiam marcações

na empresa dum mecânico vizinho

às vezes no telefone pousado chamavam

com voz abafada pelo patrão: são «os dois paneleiros»

Embora sempre afável atendesse às avarias.

A voz voava do recanto de contabilidade

forrado a calendários com poses pneumáticas

por sobre tubos de escape, soldaduras, jactos, latões.

baterias, broquins, desperdícios, alavancas;

e a gordura negra, um filtro gasto, malsão.

Assim os conheciam por lá, quiçá por outros becos.

E ambas as designações os faziam sorrir.

Mas se fossem de repartição ou a prazo numa firma

Ou até doutra mecânica qualquer? Ou de pequena cidade?

Ou de grupo de jardim com reformados?

Trata-se, é claro, da inútil função social da poesia.

Joaquim Manuel Magalhães

In Alguns Livros Reunidos, pg 124 – 125, Contexto, Lisboa, 1987

(pmr) tu Maio 7, 2015

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arrabida

Hoje o dia corre devagar.

E o poema és tu.

Duro na presença.

Quente no corpo.

Carinhoso na voz.

Doce na língua.

O poema és tu!

(Jorge Christina Alves 25*03*2015)

“My Body” Abril 26, 2015

Posted by paulo jorge vieira in musica, poemas.
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PerfumeGenius

“My Body” ( Perfume Genius)

I go hungry
Pick at the shell
Paw the bottom
Of the well

I wear my body

I go bottom
Struggle for air
I go humming
‘Like A Prayer’

I wear my body

I wear my body like a rotted peach
You can have it if you handle the stink
I’m as open as a gutted pig
On the small of every back
You’ll see a picture of me
Wearing my body

I go guzzle
Scrap from the bin
Take it all
On the chin

I wear my body