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“Mancebos de longas tranças enforcados em gravatas vão depauperando as danças com os pés aristocratas” Dezembro 7, 2017

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ary

Se o “poeta maldito” da Lisboa dos anos 60/70 fosse vivo completaria hoje 80 anos. Que enorme prazer é ler (e ouvir) Ary dos Santos. Hoje como sempre!

 

LISBON BY NIGHT

Sexofone——–saxofome
aqui jazz a humanidade
sepulcro de pedra-pomes
duma pseudo euro-cidade.

Antro de feras criadas
entre manteiga e obuses
cansadíssima corrida
de modernas avestruzes.

Na cave do cio soa
um rumor acutilante
faca—-pássaro—-que voa
em seu espaço percutante.

Sexofone——–saxofome
agulha de tédio e ritmo
ninguém ouve—-ninguém come
a noite não tem princípio.

Mancebos de longas tranças
enforcados em gravatas
vão depauperando as danças
com os pés aristocratas.

Megalómanos artistas
ademaneiam poemas
enquanto velhas coristas
coçam glórias e eczemas.

Um canceroso rebenta
seu tumor de nicotina.
Uma puta seca tenta
suicidar a vagina.

Sexofone——–saxofome
o banqueiro está de esperanças
foram-lhe ao rabo do nome
mais de um milhão de crianças.

Seus olhos de rã repleta
batraqueiam um efebo
sua pupila secreta
rumina bolas de sebo.

Entanto a noite esfaqueia
o ventre das virtuosas
senhoras com pé de meia
que bebem água de rosas.

Das tripas lhe faz um nó
dos ovários um apito.
Estou tão só que me faz dó
solfeja seu pito aflito.

Sexofone——–saxofome
um continente castrado
vai desesperando de um lume
nunca mais incendiado.

Fenícios celtas e godos
odeiam seus próprios corpos.
Agora vingam-se todos
do peso de estarem mortos.

Mortos da morte mais lenta
que é possível conceber-se
dilacerada placenta
de estando morto——nascer-se.

 

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“uma sombra negra cai, em redor do homem no cais” Dezembro 5, 2017

Posted by paulo jorge vieira in musica, Uncategorized.
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variações

 

Lembrar sempre Variações, António Variações. Hoje, porque não, com uma música que não sua. A minha escolha pessoal, entre muitas outras homenagens, fica para “A Sombra” dos Madredeus. Este tema, surgido em memória de António Variações, tem letra e música de Pedro Ayres Magalhães.

Anda pela noite só
um capote errante, ai ai
e uma sombra negra cai, em redor
do homem no cais
das ruas antigas vem
um cantar distante ai’ai
e ninguém das casas sai, por temor
de uns passos no cais
Se eu cair ao mar, quem me salvará
lalalala…
que eu não tenho amigos, quem é que será,
lalalala…
ai a solidão, que não andas só,
lalalala…
anda lá à vontade, mas de mim tem dó…
cantar, sempre cantou
jamais esteve ausente, ai ai
e uma vela branca vai, por amor
largar pela noite

 

 

Seminário Internacional “Trabalho Sexual, Políticas e Direitos Humanos” Novembro 29, 2017

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trabalhosexual

 

Seminário Internacional “Trabalho Sexual, Políticas e Direitos Humanos”

13 de dezembro | 14h30 | Auditório 1

A FPCEUP – Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto acolhe o Seminário Internacional “Trabalho Sexual, Políticas e Direitos Humanos”, em antecipação do Dia Internacional contra a Violência sobre Trabalhadorxs do Sexo.
O seminário acontece no dia 13 de dezembro de 2017, entre as 14h30 e as 18h30, no Auditório 1.

Inscrição

A entrada é gratuita, mas exige inscrição aqui.
Será atribuído um certificado de presença aos participantes inscritos.

Programa

14h30    Abertura
15h00    Conferência com Pye Jakobsson (Rose Alliance, Estocolmo)
16h00    Intervalo
16h15    Exibição do filme “Normal: Real stories from the sex industry” de Nicola Mai (2012)
Apresentação e comentário por Mara Clemente (ISCTE/IUL)
17h25    Pausa
17h30    Apresentação do GIITS – Grupo Interdisciplinar de Investigadores sobre o Trabalho Sexual
18h00    Encerramento

 


<p><a href=”https://vimeo.com/50289487″>Normal – Real Stories from the Sex Industry – Trailer</a> from <a href=”https://vimeo.com/user3467382″>Nicola Mai</a> on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

at last Novembro 14, 2017

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At last my love has come along
My lonely days are over and life is like a song, oh yeah
At last the skies above are blue
My heart was wrapped up clover the night I looked at you
I found a dream that I could speak to
A dream that I can call my own
I found a thrill to press my cheek to
A thrill I’ve never known, oh yeah
You smiled, you smiled oh and then the spell was cast
And here we are in Heaven
For you are mine at last
etta.jpg

Sophia Novembro 6, 2017

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sophia

(Sophia de Mello Breyner Andresen completaria hoje 98 anos de idade.)

Iremos juntos sozinhos pela areia
Embalados no dia
Colhendo as algas roxas e os corais
Que na praia deixou a maré cheia.

As palavras que disseres e que eu disser
Serão somente as palavras que há nas coisas
Virás comigo desumanamente
Como vêm as ondas com o vento.

O belo dia liso como um linho
Interminável será sem um defeito
Cheio de imagens e conhecimento.

in No Tempo Dividido, 1954

***

Assim o amor
Espantando meu olhar com teus cabelos
Espantando meu olhar com teus cavalos
E grandes praias fluidas avenidas
Tardes que oscilavam demoradas
E um confuso rumor de obscuras vidas
E o tempo sentado no limiar dos campos
Com seu fuso sua faca e seus novelos

Em vão busquei eterna luz precisa

in Geografia, 1967

uma cidade partilhada para tod*s Setembro 29, 2017

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No próximo dia 1 de Outubro teremos eleições para as autarquias locais. Em Lisboa apoio e participo nas listas do Bloco de Esquerda, integrando a lista para a Assembleia Municipal de Lisboa.

As listas do Bloco de Esquerda, no município de Lisboa, encabeçadas pelo Ricardo Robles (CML) e pela Isabel Pires (AML) são constituídas por um conjunto alargado de activistas e de intervenientes na política da cidade que nos transmitem a certeza, e a esperança, de que nos próximos anos estaremos empenhados em construir esse cidade partilhada que almejamos.

Aqui ficam dois pedaços do programa com que concorremos a estas eleições:

Lisboa é a cidade de que gostamos e onde queremos viver. A cidade que queremos partilhar com quem nos visita. Lisboa mudou muito nos últimos anos. Certamente muita coisa mudou para melhor. Mas aumentaram também as dificuldades de quem cá vive – pelo efeito das políticas de austeridade e desemprego. Queremos Lisboa para todos e para todas. Cidade para viver com dignidade, trabalhar com direitos e receber bem quem nos procura em visita ou como refúgio. A cidade que respeita a diferença e sabe ouvir. A cidade da vida inteira, e para isso o que conta é o essencial, é a cidade partilhada.

***

xeca_tratada

Lisboa tem de ser um espaço de abertura, respeito e combate a todas as formas de discriminação. A cidade tem ser o local onde os direitos são iguais.

Lisboa deve ser declarada área de tolerância zero à violência de género. Para além de melhorar os mecanismos de apoio, a Câmara Municipal de Lisboa deve reforçar o número de casas abrigo para vítimas de violência de género. O planeamento da cidade deve privilegiar o urbanismo feminista que contraria a discriminação e as desigualdades.

O município deve valorizar a Marcha do Orgulho LGBT, o Arraial Pride, o Queer Lisboa Festival Internacional de Cinema Queer e outras iniciativas promovidas pela comunidade LGBT+.

Mas, também deve ajudar ativamente quem é vítima de discriminação. O Bloco de Esquerda defende a abertura de um Centro Municipal de Acolhimento e Cidadania LGBT+. Um espaço que defenda e promova os direitos humanos e que ajude e albergue vítimas de discriminação e violência, preste apoio social e psicológico e disponibilize aconselhamento jurídico.”

(pmr32) eu escrevi um poema triste  Setembro 10, 2017

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Tristeza

Eu escrevi um poema triste 
E belo, apenas da sua tristeza. 
Não vem de ti essa tristeza 
Mas das mudanças do Tempo, 
Que ora nos traz esperanças 
Ora nos dá incerteza… 
Nem importa, ao velho Tempo, 
Que sejas fiel ou infiel… 
Eu fico, junto à correnteza, 
Olhando as horas tão breves… 
E das cartas que me escreves 
Faço barcos de papel! 

Mário Quintana, in ‘A Cor do Invisível’

(pmr31) o corpo não espera Setembro 9, 2017

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the_masculine_mystique

 

O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo…

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.

“O corpo não espera” de Jorge de Sena

Programação completa do Queer Lisboa 21 Setembro 6, 2017

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01 Set, 2017 / por Queer Lisboa / em Queer Lisboa 21

Em 2017, o Queer Lisboa entra na sua terceira década de existência com a exibição de 90 filmes de 32 países. Além da retrospetiva dedicada à artista multimédia Shu Lea Cheang, a ter lugar no Cinema São Jorge e no MNAC – Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, e da muito aguardada estreia do filme God’s Own Country, do britânico Francis Lee, na Noite de Abertura, o Queer Lisboa 21 vai acolher muitas mais surpresas e convidados internacionais.

Depois de, em 2016, termos celebrado uma data redonda de aniversário, o número recorde de filmes que os nossos programadores visionaram este ano, permitiram-nos construir um programa que parece todo ele traçar linhas narrativas, estéticas, formais e, até mesmo, ideológicas, que permitem antever direções do cinema queer para as quais estaremos certamente atentos nos próximos anos.

Dos 32 países presentes, os EUA são o mais representado, com 21 filmes. A Alemanha e a França estão representados, em ex-aequo, com 12 filmes cada, seguindo-se o Brasil, com 10 filmes.

As competições do Queer Lisboa 21 são compostas não só pelas narrativas e temas “clássicos” do cinema queer, mas também por filmes que falam de religião, migrações, racismo, fronteiras, deficiência, política, ao mesmo tempo em que arriscam transdisciplinaridades, rompem cânones do cinema de género, abraçam novas linguagens audiovisuais e novos modelos de relação do espectador com essas linguagens. De volta estão, assim, as Competições de Longas-Metragens, Documentários, Curtas-Metragens, In My Shorts e Queer Art.

A secção Panorama ganha este ano um novo fôlego com a exibição de oito filmes: quatro ficções e quatro documentários. Destaque para 1:54, do canadiano Yan England, que estará em Lisboa, numa colaboração com a Embaixada do Canadá em Portugal. O filme é protagonizado por Antoine-Olivier Pilon (o protagonista de Mommy, de Xavier Dolan). Quand On A 17 Ans, de André Téchiné, um dos mais aclamados realizadores do cinema pós-Nouvelle Vague, terá a sua antestreia nacional no Queer Lisboa.

Já a secção Hard Nights terá em destaque Colby Keller, um dos mais populares atores porno da atualidade, bem como filmes recentes de Koichi Imaizumi, Sky Deep, Marit Östberg e Francy Fabritz.

A música volta com a secção Queer Pop, com um programa centrado na obra de George Michael e outro focado nos novos valores da música queer do Brasil.

O Queer Lisboa 21 terminará com a exibição do muito aplaudido Mãe Só Há Uma, de Anna Muylaert, premiado na Berlinale em 2016.

Durante o festival vão ainda realizar-se várias festas. A Festa de Abertura terá lugar no clube Fontória e contará com a música do trio Asneira (António Almada Guerra, João Villas-Boas e Tiago Pinhal Costa). No dia 21, o Queer Lisboa associa-se ao coletivo Groove Ball para uma festa no Rive-Rouge, enquanto um dia depois a festa será feita no clube Construction, onde estará presente Colby Keller. A Festa de Encerramento realiza-se no Titanic Sur Mer e nela vão passar música Sky Deep e Simºne.

A programação completa do Queer Lisboa 20 pode ser consultada aqui e o calendário de sessões aqui.

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(cfp) TICYUrb’18: Third International Conference of Young Urban Researchers Setembro 3, 2017

Posted by paulo jorge vieira in cidades, geografias, Uncategorized.
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TICYUrb’18: Call for Papers and Posters:

 

The TICYUrb (Third International Conference of Young Urban Researchers) is an international event that aims to echo frontier research, artistic works and professional practice related to different urban contexts around the world, under an environment of vibrant dialog between academia and society.

 

The conference is split in ten tracks: Collectivecity (the right to the city: 50 years later), Productcity (the city as a product), Divercity (diversity in the city), Fractalcity (the city amid policies), Ucity (utopias and dystopias), Fearcity (in-security), Metacity (ways of thinking and making city), Transitcity (migrations and racism), RiskCity (risks in the city) and City O’clock (24 hours in the city). We encourage the submission of theoretical and empirical works about these topics. TICYUrb wish to act as a bridge between social, human, natural and all other scientific domains, so every paper will be welcomed and accepted for consideration.

 

We encourage the submission of theoretical or empirical works about these topics. TICYUrb wish to act as a bridge between social, human, natural and all other scientific domains, so every paper will be welcomed and accepted for consideration.

Abstract of max. 500 words and a short biography/Vita via must be submitted via the form in our web-site.

We accept papers in English, Portuguese, Spanish, and French.

Authors should let us know in which language they prefer to present their papers.

This event will be a platform for sharing ongoing or recent work, open debate and networking. In parallel with the conference sessions, there will be open debates among young professional, exclusive networking sessions, and field excursions, among other activities.

 

TICYUrb will be held in Lisbon from June 18th to June 22nd 2018 at ISCTE-IUL

 

TICYURB is a collaborative effort of the Centre for Research and Studies in Sociology (CIES-IUL), the Research Center on Socioeconomic Change and Territory (DINAMIA’CET-IUL), the Interdisciplinar Center of Social Sciences (CICS.NOVA), the Institute of Sociology – University of Porto (ISUP) and the School of Architecture of the University of Sheffield (SSoA).

For further information visit our websiteticyurb.wordpress.com

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